Fernando Veríssimo apresentou recentemente o seu livro “Cromos duNando”. 36 desenhos vectoriais que representam figuras internacionais que vão desde o Papa Francisco a Nelson Mandela. Desenhador e designer de profissão, Fernando Veríssimo conta com um percurso vasto noutras expressões artísticas, como a pintura, escultura e cerâmica, tendo participado em diversas exposições individuais e colectivas.

Porquê o livro “Os Cromos DuNando”, e porquê o cartoon digital?

Quando os Cromos foram expostos no Palácio do Landal, em 2017, ficou no ar que, o conjunto das imagens tinha tudo para dar um livro. As personagens eram abrangentes, o colorido ajudava e a heterogeneidade dos textos associados, completava-os. Com a última mostra [que ainda decorre]  surgiu a oportunidade da edição em formato papel e isso fechou o ciclo. Refletindo sobre o subtítulo do livro, na realidade existe uma distância maior entre caricatura e cartoon mas, a minha preocupação foi colocar pequenas subtilezas nalguns desenhos situando-os a meio caminho, entre uma coisa e outra. O recurso ao computador para a construção das imagens foi a opção escolhida por dar mais garantias  ao produto final: rigor de linhas e limpidez gráfica.

A escolha das figuras públicas para caricaturar foi fácil? Porquê essas? São personagens que o marcaram de certa forma?

Tive em linha de conta a universalidade das personagens no momento da escolha. Embora outros já o tivessem feito, impunha-se-me fazê-lo “à minha maneira”.  Procurei juntar alguns dos “nossos”, como a Amália, o Eusébio ou o Pomar mas, sempre em linha direta com o que cada um deles, mesmo que indelevelmente, me terá transmitido. Quiçá, a continuação com uma segunda “caderneta”.

Para quando novo livro com “cromos” locais?

Não sei se isso faz sentido. Há os que se ofendem (risos) se os tratarmos por cromos. Se o interesse sobre o livro fosse apenas comercial importava que os cromos fossem reconhecidos por uma maioria alargada e não, apenas, pelos da “minha rua”. Diria que podíamos abordar as figuras históricas locais, ligadas a Almeirim.

O desenho sempre foi uma paixão? Será mais o quê?

Habituei-me a conviver com o desenho (afinal, o desenho, está em todos os objectos) e para os profissionais que o usam como base do seu trabalho é importante que o incorporem com paixão. O desenho não precisa de ser complexo para nos fascinar.

E na pintura, o que está na forja? Para quando uma nova exposição?

A pintura é um caso mais sério. É o analógico contrapondo-se ao digital dos “cromos”. Ultimamente tenho optado pelo papel e em pequenos formatos. Não me preocupo em expor e as redes sociais são, hoje, parte dessa montra. Como não vivo desse trabalho, expor é uma chatice… embrulhar, desembrulhar, voltar a arrumar, quase sempre sem projecção ou retorno financeiro.  

Como constrói o seu acto criativo? O que o inspira?

Francamente, não sei explicar o processo. Procuro sim, imagens ou situações que possam dar pintura e a inspiração confunde-se, quase sempre, com a prática. O resultado aparece com a prática mas, nem sempre aparece como desejado – o que é bom – diverge consoante o acaso e reinventa-se a partir daí.

Um título para o livro da sua vida?

“Ele tentou, mas…”, edição revista e aumentada. Capa rija. A minha não terá muitas particularidades mas, posso dizer que já plantei a árvore, vi os filhos crescer e… escrevi o livro.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?

Evitava a guerra na Ucrânia. Acredito que os serviços de segurança podiam ter evitado esta calamidade se tivessem avaliado corretamente os efeitos colaterais. Perante a situação de fragilidade da Europa, deviam progredir seriamente os esforços diplomáticos e deixar de avaliar a guerra pelo comprimento dos mísseis (evitando o discurso; o meu, é maior que o teu).

Viagem?

A última foi a Atenas. Voltava lá para ver o mar turquesa, ou as Cariátides na sua imortalidade pétrea. Gosto de acreditar que estou sempre disponível para viajar.

Música imprescindível?

Só oiço música online e sou bastante eclético nas escolhas. Antes do conflito, descobri os Dakha Brakha (grupo ucraniano que mistura música folk com outras sonoridades) e os brasileiros Uakti (que usam instrumentos de percussão com materiais inusitados)… gosto do som do Kravitz e aprendi a ouvir Bowie. Nem sempre uso música enquanto trabalho… se estiver muito concentrado, nem a oiço.

Se um dia tivesse que entrar num filme que género preferiria e a contracenar com quem?

Entrava no Ben-Hur, como figurante… seriam tantos que nem davam por mim. Teria apreciado contracenar com a Scarlett no “Brinco de Pérola”, pois o ambiente histórico era-me favorável. Gosto da época em que viveu Vermeer, e depois, a rapariga do brinco é linda, mesmo ataviada conforme a época. Adorava colocar-lhe o brinco com a mesma parcimónia que nos mostra a cena intimista. Definitivamente, o meu género é o filme histórico o que me aproxima de um cromo.

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