A Polícia Judiciária de Leiria, que tem todos os dias equipas a investigar a origem dos incêndios, alertou à agência Lusa que este é um crime de difícil obtenção de prova.

O diretor do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Judiciária de Leiria, Avelino Lima, adiantou à Lusa que todas as ignições que são identificadas pela equipa do Ambiente da GNR como causa humana – dolosa ou não -, são investigadas pelos inspetores.

“Todos os dias temos elementos no terreno e tudo o que nos é reportado com relevância é investigado. Mas uma coisa é o que se diz e outra é o que se demonstra com prova. É preciso validar e este é um crime difícil de investigar. Raramente são deixados vestígios e quando existem são, na maioria das vezes, danificados pelo fogo”, reforçou Avelino Lima.

O diretor admitiu que possam existir incêndios que resultam de mão criminosa, mas salientou que há que também perceber situações de “negligência, falta de limpeza dos terrenos e desordenamento da floresta”.

Avelino Lima destacou ainda que mesmo o fogo negligente é “criminalmente punível”.

“Se houver indícios fortes e provas não teremos qualquer problema em deter os suspeitos, como tem vindo a suceder”, acrescentou.

Sem revelar o número de inquéritos que os inspetores têm em mãos, o responsável lamentou que os concelhos de Leiria e Ourém (distrito de Santarém) estejam a ser muito fustigados pelo fogo, mas frisou que a PJ de Leiria tem à sua responsabilidade 24 concelhos e há outros que também têm sofrido com os incêndios.

E deixou um alerta à população: “se houver indícios ou suspeitas possíveis de serem investigadas, informem-nos”.

O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, disse hoje à agência Lusa que 60% das ignições são de origem criminosa, após mais um incêndio no concelho.

Nos últimos anos, o concelho de Ourém, no distrito de Santarém, tem sido atingido frequentemente pelas chamas. Luís Albuquerque adiantou que só este verão o concelho já teve “60 ignições”.

“Sessenta por cento das ignições são consideradas intencionais. É necessário aumentar a vigilância da floresta e colocar mais meios no terreno para ver se conseguimos identificar os criminosos que têm feito este serviço”, sublinhou o autarca.

Também o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, afirmou, na terça-feira, que “há um criminoso” a provocar ignições nas freguesias da Caranguejeira e Arrabal, causando vários incêndios.

“Ainda vamos ter muita surpresa sobre a autoria dos incêndios. A pessoa, ou as pessoas (…), que anda a fazer isso, no dia em que for preso, vamos ter mais paz nesta freguesia. Vivemos com um criminoso. Há um criminoso qualquer que vai para aquela zona provocar ignições umas atrás das outras todos os anos na última década”, afirmou Gonçalo Lopes na última reunião de executivo.

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