Foto de arquivo

O marchador português João Vieira vai tornar-se no recordista de participações em Mundiais de atletismo, quando, no sábado, iniciar a 14.ª presença seguida, num total de 20 edições dos campeonatos.

Nesse dia, 26 anos depois da sua estreia em Mundiais, o atleta do Sporting vai destacar-se do espanhol Jesús Ángel García, que disputou 13 edições entre 1993 e 2019.

No feminino, a lançadora do disco francesa Melina Robert-Michon vai igualar as duas recordistas portuguesas, e também marchadoras, Susana Feitor e Inês Henriques, que contam 11 presenças cada.

João Vieira já detém o recorde de mais velho medalhado em Mundiais, com a prata conquistada em Doha2019, nos 50 quilómetros marcha, então com 43 anos e 221 dias.

“É a medalha da minha carreira, com 43 anos ainda estive aqui, estou feliz por todas aquelas pessoas que trabalham comigo, no dia a dia e continuam a acreditar no meu trabalho. Foi mais uma grande prova esta noite e é o trabalho de uma equipa”, afirmou, então, após a mais brilhante conquista da carreira, sem saber que esse dia lhe ia retirar a oportunidade de, no sábado, bater outro registo histórico.

Isto porque no sábado, o português nascido em Portimão e radicado em Rio Maior, será 101 dias mais jovem do que Jesús Ángel García em 29 de setembro de 2019, que, nessa mesma prova, no Qatar, se tornou no mais velho de sempre em Mundiais com 49 anos e 346 dias.

Perde-se, para já, um recorde, mas não belisca a carreira de Vieira, que, além da prata em Doha2019, já tinha conquistado a medalha de bronze nos 20 quilómetros marcha em Moscovo2013, após desclassificação por doping do russo Aleksandr Ivanov, sem que nunca a tenha recebido fisicamente.

Apesar de ter estado ausente de Paris2024, João Vieira conta seis participações olímpicas, a melhor das quais a mais recente, com o quinto lugar nos 50 quilómetros de Tóquio2020, disputados em Sapporo, tendo ainda conquistado duas medalhas em Europeus, casos do bronze em Gotemburgo2006 e da prata em Barcelona2010, em ambos nos 20 quilómetros.

A estreia do português em Mundiais remonta a Sevilha1999, quando foi desclassificado, tal como em Edmonton2001, algo que nunca mais aconteceu nas suas presenças, apesar das desistências em Helsínquia2005, Oregon2022 e Budapeste2023.

A presença em Tóquio2025 atesta que Vieira é à prova de contrariedades, tendo assegurado, em declarações à Federação Portuguesa de Atletismo, já no Japão, que enfrenta a competição “com a mesma alegria e espírito da primeira, da segunda e da terceira e de todas as outras, para fazer o melhor”, reconhecendo que a sua “marca” é a “resiliência ao longo de todos estes anos, marchando atrás dos objetivos apesar da idade”.

Por isso, ainda não exclui Los Angeles2028, sem saber que distâncias vão ser disputadas, nem a oportunidade de igualar no pináculo das participações olímpicas o antigo velejador João Rodrigues, que conta sete.

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