José Manuel Constantino foi reeleito, no passado dia 10 de Março, para um terceiro mandato na presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP). O principal desafio que assume é o de superar, em Paris2024, o melhor desempenho olímpico luso de sempre, em Tóquio2020, com uma medalha de ouro, do saltador Pedro Pablo Pichardo, uma de prata, da saltadora Patrícia Mamona, e duas de bronze, do canoísta Fernando Pimenta e do judoca Jorge Fonseca.

Outro dos eixos, é o de “valorizar socialmente o desporto”, posicionando-o, de uma forma diferente, na agenda política.

“Há que reconhecer que o desporto tem uma importância social que vai muito para além do seu efeito de natureza estritamente desportiva. Do ponto de vista económico, da saúde publica, da educação, da integração, há um conjunto de valores que o desporto comporta e que estão para além daquilo que ele custa. A sua valorização é absolutamente essencial no âmbito da agenda política para que lhe possam ser dadas as devidas atenções, meios e apoios para que a capacidade de resposta do sistema desportivo, que assenta nos clubes, associações, entre outros organismos, possa ser mais sólida, mais consistente, e possamos ter ganhos de competitividade sempre que ombreamos com outras nações de forma a que possamos ser um país mais competitivo”, assumiu ao Correio do Ribatejo.

Questionado sobre o panorama actual do desporto de alta competição no País, José Manuel Constantino reconhece um longo caminho já percorrido, mas falta fazer muito mais: “temos hoje um plano completamente diferente daquele que tínhamos relativamente há 10 ou 20 anos atrás, em que os sinais que o sistema desportivo apresenta, ao nível dos atletas, das participações desportivas no contexto desportivo internacional, evoluiu de forma significativa. Mas temos outro plano de análise que é a avaliação de Portugal no contexto das outras nações, quer no espaço europeu quer em termos internacionais. Aí, pese embora a circunstância de termos evoluído, não conseguimos superar as distâncias que temos dos países com indicadores de desenvolvimento desportivo mais significativo. Nesse quadro, estamos significativamente atrasados”, analisa.

“Aquilo que percorremos foi importante, permitiu que evoluíssemos, mas a nossa evolução não foi no sentido de podermos atenuar as disparidades que temos para a generalidade dos países europeus”, acrescenta.

José Manuel Constantino foi eleito pela primeira vez presidente do COP em 26 de Março de 2013, sucedendo a Vicente Moura, ao conquistar 92 votos face aos 67 do rival Marques da Silva, e reeleito em 23 de Fevereiro de 2017, com 144, num acto em que era o único candidato.

Mas o vínculo de José Manuel Constantino – nascido em Santarém a 21 de Maio de 1950 – ao mundo do desporto, começou há muito: “a minha ligação ao desporto, do ponto de vista formal, começou quando iniciei a minha actividade no futebol dos Leões de Santarém, nos infantis, creio que com 14 anos”, recorda.

“Fiz prática desportiva no liceu: pratiquei andebol, voleibol, basquetebol, entre outras modalidades e, depois, tive uma ligação mais formal, já do ponto de vista da minha actividade profissional, quando concluí o meu curso de educação física no INEF (Instituto Nacional de Educação Física). Particularmente no Sport Algés e Dafundo, onde fui secretário técnico da direcção e, depois, na Federação Portuguesa de Halterofilismo, onde fui assessor da direcção”, recorda ainda.

José Manuel Constantino deixou Santarém para ir tirar o curso superior de Educação Física em Lisboa, mas nunca esqueceu as suas raízes: “somos o lugar que nascemos, os pais que tivemos, os professores que nos ensinaram, as ruas que calcorreámos, as ilusões e desilusões que tivemos”, afirma.

“Eu saí com 17 anos de Santarém, e guardo desse tempo memórias muito gratificantes, que não esqueço, e que fazem parte da minha identidade. Foi em Santarém que nasci e cresci, foi lá que criei as primeiras amizades e fiz a minha preparação, quer na escola primária, quer no Liceu. Tenho ainda alguns familiares, e a minha terra é Santarém. Guardo desse facto uma memória que não quero esquecer até ao final dos meus dias”, declara.

Dos tempos de juventude passada em Santarém, José Manuel Constantino confessa que guarda “muita nostalgia”: “jogávamos em campo pelado, com sapatos que os escalões superiores já não usavam… a bola pesava nem sei quantos quilos. Quando chovia, era praticamente impossível competir. Tempos muito diferentes daqueles que hoje, felizmente, os jovens têm para praticar desporto”, rememora, acrescentando: “olho para esses tempos com nostalgia, mas, ao mesmo tempo, com sentimento de companheirismo que esses momentos proporcionavam, de rivalidade com a Académica de Santarém, que era onde jogavam a generalidade dos meus colegas do Liceu. Eu e o Juvenal Brites eramos excepção a esse princípio. Recordo a minha presença no campo dos Leões de Santarém para assistir aos jogos. Vivia ali perto. São momentos que nos marcam”.

Licenciado em Educação Física pelo Instituto Superior de Educação Física, José Manuel Constantino exerceu actividade docente entre 1973 e 2002. Foi professor do ensino básico (1973-1986) e docente universitário (1994-2002), nomeadamente professor auxiliar convidado da cadeira de Organização e Desenvolvimento do Desporto do Curso Superior de Educação Física e Desporto, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (1994-1996), professor convidado da disciplina de Desporto, Recreação e Tempos Livres, na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto (1991-1995), professor associado convidado da cadeira de Organização e Desenvolvimento do Desporto do Curso Superior de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (1997-2002), professor convidado do Curso de Dirigentes Desportivos, da Universidade Autónoma de Lisboa (1999-2000) e professor convidado do curso Autarquias e Desporto – estratégias de sucesso, do Instituto Superior da Maia (2002).

Fez parte da Comissão Instaladora dos institutos superiores de Educação Física, do Porto e de Lisboa (1974-1975). Foi membro da Assembleia Estatuária da Faculdade de Motricidade Humana (Lisboa, 2009) e é membro do Conselho de Representantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (desde 2010).

Na administração pública exerceu os cargos de membro do Conselho de Fundadores da Fundação do Desporto (2001), de presidente do Instituto do Desporto de Portugal (2002-2005), de presidente do Conselho Nacional Antidopagem (2002-2005), de presidente do Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto (2002-2005), de presidente da Comissão de Coordenação Nacional do Ano Europeu de Educação pelo Desporto (2003-2004) e de presidente da Confederação do Desporto de Portugal (2000-2002).

Na esfera das autarquias, foi director do Departamento dos Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras (1996-2002), membro do Conselho Superior de Desporto (2002-2005) e presidente do Conselho de Administração da Oeiras Viva, E.E.M. (2006-2013).

É membro fundador da Sociedade Portuguesa de Educação Física e da Sociedade Portuguesa de Ciências do Desporto; membro da Academia Olímpica de Portugal, da Federação Internacional de Desporto para Todos, da Sociedade Norte Americana Sport Management e membro consultivo da Fundação Marquês do Pombal.

Foi presidente da Assembleia-geral do Centro de Performance Humana (1995-2001), vice-presidente do Conselho Consultivo da Fundação do Desporto (até 2000), membro do Conselho Consultivo do Lugar Comum – Clube Português de Artes e Ideias (até 2002) e membro do Conselho Editorial do Jornal Record (até 2000).

Autor de 12 livros e co-autor de 17, foi o coordenador editorial de 14 publicações e membro fundador da revista Horizonte – Revista de Educação Física e Desporto (1993). Proferiu 221 conferências, comunicações e discursos sobre Desporto, no país e no estrangeiro.

Foi atleta federado de Futebol nos Leões de Santarém (1962-1967), secretário técnico da Direcção do Sport Algés e Dafundo (1985) e assessor da Direcção da Federação Portuguesa de Halterofilismo (1986-1990).

A Universidade do Porto concedeu o título de Doutor Honoris Causa a José Manuel Constantino numa cerimónia realizada na Faculdade de Desporto, a 26 de Setembro de 2016. A proposta partiu da FADEUP, quando celebrava o 40.º aniversário da sua integração na Universidade do Porto, e teve como fundamento o contributo prestado pelo presidente do Comité Olímpico no desenvolvimento do desporto em Portugal, a partir de 2013.

José Manuel Constantino foi condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, no passado dia 11 de Janeiro, pelos feitos conquistados nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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