Nascidos no seio do movimento escutista, os Rumo Certo são o novo destaque da região no programa televisivo The Voice Gerações. Composta por Gabriel Tavares, João Cachado, Rodrigo Santos e Rodrigo Maurício, a banda com raízes em Sobral de Monte Agraço e Aveiras de Cima conquistou o público e os mentores, aspirando agora a novos voos.
Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o grupo partilha os desafios de conciliar as suas profissões com a paixão pela música portuguesa e recorda o início dos ensaios nos Casais da Amendoeira.
A vossa amizade nasceu nos escuteiros. Que valores deste movimento trouxeram para a Rumo Certo?
Os valores que trouxemos do Escutismo para a Rumo Certo acabaram por moldar muito a nossa forma de ser e estar, não só no quotidiano, mas enquanto banda. Procuramos trazer um pouco dos princípios que nos foram incutidos em cada ensaio e actuação. Temos sempre presente a boa acção diária, o companheirismo, o trabalho em equipa e a alegria que nos caracteriza. Mas, no fim de contas, a amizade é o pilar fundamental, aquilo que nos uniu e que nos mantém felizes e satisfeitos a trilhar este caminho.
Sendo de Sobral de Monte Agraço e Aveiras de Cima, como conseguem gerir a logística dos ensaios e manter o foco no projecto?
A distância e os ensaios são os detalhes mais complicados de gerir. A logística acaba por passar muito por definir prioridades, equilibrando as deslocações e as horas sem dormir. No final, ver que compensa pelos sorrisos de quem nos assiste, é a melhor sensação do mundo.
Os ensaios da banda aconteceram nos Casais da Amendoeira. De que forma esta pequena localidade moldou a vossa identidade?
É um local com um significado muito especial, em particular para o João Cachado, pois a família do lado da mãe é de lá. Foi o primeiro local onde ensaiámos e onde começámos a encarar o projecto, no geral, de forma mais séria. É um ambiente familiar, acolhedor e onde acabamos por nos sentir em casa. Aquele anexo já ouviu muita música, zangas, trocas de ideias, gargalhadas… Um local onde gostamos muito de regressar.
A Rumo Certo é composta por quatro elementos com origens diferentes. Como funciona o vosso processo de criação e composição?
O processo de criação e composição é um caminho que ainda está por conhecer e é o próximo passo que queremos dar. Adoramos o que fazemos e damos tudo o que conseguimos para que as pessoas que nos ouvem sintam a música que cantamos como nós. Poder amplificar ainda mais aquilo que fazemos com criações nossas é uma ambição muito presente.
Como conciliam a música com as vossas respectivas profissões?
Conciliar quatro ocupações diferentes é o nosso calcanhar de Aquiles. Temos locais de trabalho distantes, integrantes que trabalham por turnos e, por isso, as noites mal (ou quase nem) dormidas fazem parte do nosso quotidiano. Quando um de nós só pode dar 20%, os restantes completam com os outros 80 por cento.
Que géneros musicais definem a Rumo Certo e quais os artistas que vos inspiram mais?
Acima de tudo, a música portuguesa, cantada em português, é o nosso requisito obrigatório. Todos ouvimos estilos distintos, mas dentro destas diferenças existem bastantes pontos comuns, e é isso que tentamos explorar. Cantamos desde Xutos & Pontapés ao Luís Trigacheiro. Cantamos o que sentimos em português e dentro disso tentamos ser versáteis.
Como surgiu a oportunidade de participarem no The Voice Gerações?
Foi um daqueles desafios que se lançam em tom de brincadeira e que acabou por seguir em frente. Ao vermos que as inscrições ainda se mantinham abertas, comentámos e decidimos que não teríamos nada a perder. Candidatámo-nos e depois disso aconteceu tudo muito depressa. Conseguimos mais do que alguma vez esperávamos.
O que sentiram quando o Mickael Carreira virou a cadeira e perceberam que estavam na próxima fase do programa?
Foi uma sensação fenomenal. Uma felicidade gigante e um sentimento de sonho realizado, por saber que alguém confiou em nós e no nosso projecto. Naquele momento sentimos que todas as horas de sono perdidas e de trabalho “escondido” foram recompensadas.
Qual tem sido o feedback por parte das pessoas nas localidades onde vivem?
O carinho que temos sentido é muito acolhedor. “Levar a nossa terra mais longe” é um sentimento muito impactante e poder ouvir isso das pessoas e sentir esse calor é espectacular. Recebemos inúmeras mensagens a dar-nos os parabéns e a mostrar agrado pelo que fizemos no palco do The Voice Gerações, e por vezes parece que para outros tantos foi o confirmar de que, de facto, estamos a tentar fazer deste projecto algo sério e não apenas uma brincadeira.
O que o público pode esperar da vossa próxima actuação no The Voice Gerações?
Podem esperar uma actuação com intensidade, com uma música que vai ficar na cabeça de todos! Uma actuação dedicada, onde daremos o nosso melhor, como fazemos sempre, com esforço, empenho e cada uma das pessoas que nos apoia representada na força da nossa voz.
Que mensagem gostariam de deixar aos jovens da região que também sonham em formar uma banda e pisar grandes palcos?
Na vida não há impossíveis. Aquilo que para nós ainda hoje parece inacreditável foi feito apenas e somente por nós e pelo nosso empenho. Não tenham medo de arriscar, de se mostrar e de seguir os vossos sonhos, seja na música ou em qualquer outra área! O importante é ter a coragem de dar o primeiro passo, sem medo de julgamentos!
