A Nersant – Associação empresarial do distrito de Santarém, considerou hoje insuficientes as medidas de apoio às empresas afetadas pela depressão Kristin, reclamando a necessidade urgente de linhas de crédito, apoios a fundo perdido e reprogramação de incentivos.
“Até agora, o pacote de medidas apresentado pelo Governo continua a assentar em linhas de crédito sem a intensidade necessária para empresas com prejuízos elevados. É imperativo que os apoios a fundo perdido e a reprogramação de incentivos cheguem rapidamente ao terreno”, disse hoje à Lusa o presidente da Nersant, Rui Serrano.
A associação esteve na quarta-feira em Leiria numa reunião com a Unidade de Missão nomeada após a passagem da depressão Kristin, a IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação e o Banco do Fomento, na sequência das medidas e posições públicas defendidas pelos empresários, quer de Santarém, quer de Leiria, que esperavam ver medidas concretas aprovadas nesta sessão de trabalho.
Antes da reunião, a Nersant e a Associação Industrial Portuguesa (AIP) defendiam a aplicação do Sistema de Reposição de Capacidades Produtivas ao abrigo do Decreto‑Lei 4/2023, garantindo apoios a fundo perdido e incentivos não reembolsáveis para empresas de todos os setores afetados.
Reivindicavam também a extensão do apoio de 10 mil euros, atualmente limitado à agricultura e floresta, a outros setores, bem como a reprogramação dos contratos de incentivos existentes e a aceleração dos pagamentos e adiantamentos, de forma a permitir a rápida recuperação da atividade económica.
“Recebemos alguns esclarecimentos importantes, mas a mensagem central mantém‑se: sem apoios a fundo perdido e sem aplicação plena do Decreto‑Lei 4/2023, as medidas continuam aquém das necessidades reais das empresas mais afetadas na nossa região. Precisamos de ações rápidas e concretas no terreno”, reforçou Serrano.
Segundo a associação, na quarta-feira, duas semanas após a depressão Kristin (a que se juntaram os efeitos de outras depressões), continuavam milhares de pessoas sem energia em Ourém (7.000), Ferreira do Zêzere (2.500) e Tomar (1.000), com centenas de empresas ainda paralisadas.
As zonas industriais de Ourém, Caxarias, Ferreira do Zêzere e Tomar registam danos comparáveis aos da Marinha Grande e de Leiria, mas com visibilidade e apoios menores.
Os empresários defendem a necessidade de simplificação de burocracias, moratórias fiscais de pelo menos seis meses, aceleração das linhas de crédito e incentivos já contratados, bem como apoios a fundo perdido proporcionais à intensidade dos prejuízos.
Em paralelo, reiteram a urgência na reprogramação de investimentos, ajustando prazos e objetivos para viabilizar a reposição das capacidades produtivas.
Rui Serrano anunciou hoje a realização de uma sessão de esclarecimento semelhante em Ourém, no próximo dia 20 de fevereiro, no Cine-Teatro local, com o objetivo de ouvir empresas do terreno, reforçar reivindicações e obter atualizações sobre medidas de apoio.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
O mau tempo tem provocado a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
