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A sub-região do Médio Tejo inicia esta semana o reforço do dispositivo de combate a incêndios rurais, enquanto acelera a desobstrução de caminhos florestais afetados pela tempestade Kristin nos concelhos considerados mais críticos para a época de fogos.

“Efetivamente, a partir do dia 16 [terça-feira] teremos aqui um reforço de mais três equipas de combate a incêndios e mais 15 homens alocados ao dispositivo e, a partir do dia 01 de julho, com a entrada do nível 4 de empenhamento, estaremos na máxima força”, afirmou hoje o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, que agrega 11 municípios do distrito de Santarém.

Segundo David Lobato, os trabalhos de limpeza e remoção de material lenhoso derrubado pela tempestade Kristin decorrem nos concelhos mais afetados, numa corrida contra o tempo para garantir acessos operacionais antes da fase mais crítica de incêndios, entre julho e setembro.

O responsável indicou que a desobstrução dos principais caminhos florestais deverá estar concluída entre o final de junho e o início de julho, sobretudo em Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Tomar, Sardoal e Abrantes, territórios que já eram identificados como dos mais problemáticos em matéria de incêndios rurais e onde a tempestade agravou as condições de risco, com milhares de árvores derrubadas e um acréscimo significativo de combustível florestal.

Com o reforço previsto para terça-feira, o dispositivo sub-regional ganha mais três equipas de combate e 15 operacionais, aos quais se somará um novo aumento a partir de 01 de julho, quando entrar em vigor a fase Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), considerada a mais exigente do ano.

Nessa altura, o Médio Tejo contará com 21 equipas de combate a incêndios e três equipas de apoio logístico, além dos meios instalados nos centros de meios aéreos de Ferreira do Zêzere e do Sardoal e das estruturas permanentes de comando e coordenação.

“Neste momento temos 121 ocorrências e 21 hectares de área ardida, o que não é um bom início. Estamos com o terceiro pior ano em termos de ignições e o quarto pior ano em termos daquilo que é a área ardida”, afirmou.

Segundo explicou, a maioria das ocorrências tem-se concentrado desde maio, após um inverno chuvoso que favoreceu o crescimento da vegetação e a acumulação de combustível fino, agora mais suscetível à secagem provocada pelo aumento das temperaturas.

“Com estas temperaturas tenderão a ficar com mais potência para causar maior dano”, alertou, apontando para previsões meteorológicas que indicam um aumento significativo das temperaturas nos próximos dias.

“Os trabalhos de limpeza dos caminhos, portanto da retirada do material lenhoso dos caminhos, estão praticamente concluídos” nos municípios mais afetados, declarou.

Segundo David Lobato, Ourém continua a concentrar a maior fatia dos meios empenhados nestas operações, estando também em curso trabalhos em Ferreira do Zêzere e Mação, com recurso a máquinas de rasto para recuperação de caminhos danificados.

“A nossa questão é um veículo ir para um incêndio e depois não conseguir passar, ou numa situação de evacuação ficar bloqueado com árvores. É isso que nós não queremos”, afirmou.

“Foi exatamente naqueles municípios onde temos as maiores condições para termos problemas, mesmo sem a depressão Kristin já eram os municípios identificados como mais problemáticos”, notou, referindo-se a Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Tomar, Sardoal e Abrantes.

David Lobato acrescentou que se está “também a preparar um plano de operações mais cirúrgico para esses municípios”, destacando que parte das ignições registadas este ano resultou de comportamentos negligentes ou de fogo posto.

“Temos aqui algumas preocupações em termos daquilo que é intencional”, afirmou, apontando para situações identificadas pelas autoridades nos concelhos de Abrantes, Tomar e Ourém.

O comandante apelou à população para evitar queimadas em períodos de risco e denunciar comportamentos suspeitos, considerando que a prevenção continua a ser o principal fator para evitar grandes incêndios.

David Lobato admitiu que o verão de 2026 poderá revelar-se particularmente exigente, devido à conjugação entre temperaturas elevadas, combustível acumulado na floresta e efeitos persistentes da tempestade Kristin.

“Nos últimos anos os incêndios têm-se vindo a tornar cada vez mais explosivos. Estamos a começar com temperaturas extremamente altas para aquilo que é junho e tudo isso vai acumulando problemas”, concluiu.

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