O Município de Santarém assinalou o Dia Mundial da Saúde, celebrado a 7 de abril, com a realização, esta terça-feira, de uma conferência dedicada à promoção da saúde e do bem-estar, subordinada ao tema “A Saúde Mental como Responsabilidade Coletiva”, que decorreu na Casa do Brasil.
A sessão de abertura foi presidida pela vereadora com o pelouro da Saúde, Teresa Matias Ferreira, que destacou a relevância de uma abordagem integrada e coletiva na resposta aos desafios da saúde mental.
Perante uma plateia repleta, a autarca sublinhou que “falar de saúde mental é falar de pessoas, das suas fragilidades, mas também da sua capacidade de resistência e superação”, alertando para a necessidade de combater o estigma ainda associado a esta temática.
“Durante demasiado tempo falhámos, enquanto sociedade, ao ignorar ou desvalorizar esta realidade. Hoje, não podemos continuar a virar o rosto”, afirmou.
A vereadora do Município de Santarém reforçou ainda que “a saúde mental não é uma questão individual, mas uma responsabilidade coletiva”, apelando ao envolvimento de toda a comunidade, desde decisores políticos a escolas, famílias e profissionais.
Com particular enfoque nas gerações mais jovens, Teresa Matias Ferreira deixou um alerta: “Não podemos aceitar que os nossos jovens sofram em silêncio, nem que pedir ajuda seja visto como um sinal de fraqueza”, defendendo a urgência de políticas públicas mais próximas, humanas e eficazes.
Entre as prioridades apontadas, destacou o investimento na prevenção, na educação emocional e no acesso a acompanhamento psicológico, bem como a criação de redes de apoio acessíveis.
“Queremos um concelho mais atento, mais inclusivo e mais humano, onde ninguém fique para trás”, concluiu.
A moderação esteve a cargo de Hélia Dias, diretora da Escola Superior de Saúde de Santarém, que conduziu um painel de especialistas de diferentes áreas, nomeadamente Maria Beatriz Pimentel Domingos, assistente social no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência e na Equipa Comunitária de Saúde Mental da Infância e Adolescência da ULS Lezíria; Teresa Gil Martins, pediatra no Hospital CUF Santarém; Ângelo Marinho, enfermeiro e representante da Ordem dos Psicólogos Portugueses; e Rute Almeida, representante da Delegação Regional do Centro da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Sublinhando o caráter multifatorial da saúde mental, a diretora da Escola Superior de Saúde de Santarém mencionou que “não há uma única causa, nem uma única resposta”, apontando para a influência de fatores sociais, económicos, familiares e educativos. Nesse sentido, defendeu uma abordagem integrada, assente na articulação entre saúde, educação, trabalho e comunidade.
Hélia Dias reforçou ainda a importância da evidência científica na definição de políticas e respostas: “Estar ao lado da ciência significa combater mitos, reduzir o estigma e garantir decisões orientadas pelo conhecimento”.
Destacando o lema “Juntos pela Saúde”, salientou que “ninguém cuida da saúde mental sozinho”, defendendo que a promoção e a prevenção são tão ou mais importantes do que o tratamento, e que comunidades informadas estão mais preparadas para responder ao sofrimento psicológico.
A sessão terminou com um debate aberto ao público, promovendo a participação ativa da comunidade e o diálogo direto com os profissionais de saúde.
