NERSANT e Agrocluster alertam para vantagens da bioeconomia no sector agroflorestal

No dia 7 de Junho, a NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, e o Agrocluster Ribatejo, promotores “Bio-Ware”, estiveram na Startup Santarém a apresentar soluções inovadoras de valorização agrícola, florestal e industrial. Esta foi a 4.ª e última Mesa Redonda realizada ao abrigo do projecto, que pretende promover conceitos de bioeconomia e economia circular na região.

A Economia Circular pretende substituir o modelo tradicional de Economia Linear, em que a produção e o consumo assentam numa cadeia que passa por extrair recursos, produzir bens e depositar resíduos. Ao longo desta cadeia, os níveis de desperdício são significativos, havendo uma perda de valor económico e ambiental.

Com este novo modelo, pretende-se reter o máximo de valor possível de produtos ou recursos. Ao aplicar esses princípios, as empresas podem minimizar o desperdício de recursos, aumentar a produtividade e dissociar o crescimento do consumo de recursos naturais. Decorrente da necessidade de uma maior utilização dos recursos renováveis surge o conceito de bioeconomia, que se entende como sendo uma economia que utiliza os recursos biológicos da terra e do mar, bem como os resíduos, como fatores de produção de alimentos para consumo humano e animal e de produção industrial e de energia. Abrange também a utilização de processos de base biológica com vista a permitir indústrias sustentáveis.

Sendo o Ribatejo uma região plena de oportunidades nesta área, a NERSANT e o Agrocluster dinamizaram um Santarém, no dia 7 de Junho, uma sessão ao abrigo do Bio-Ware, que teve como objectivo alertar as empresas e indústrias da região para as vantagens de utilização da bioeconomia e economia circular no seu dia-a-dia.

De facto, foi explicado na sessão, no território que corresponde ao Médio Tejo existe um modelo de especialização industrial assente em fatores competitivos ligados à proximidade e facilidade de acesso a recursos naturais. Este território combina uma vocação natural agroflorestal com actividades industriais. Por um lado o aproveitamento florestal está relacionado com as grandes manchas florestais que possui, no prolongamento das vastas áreas florestais do centro do país. Por outro lado, integra polos de especialização industrial de relevância nacional como por exemplo, a produção de curtumes no município de Alcanena. Complementarmente, a Lezíria do Tejo tem-se assumido como um território de ancoragem de importantes unidades industriais agroalimentares, em paralelo com um processo de afirmação e de consolidação de uma rede de pequenos e médios centros urbanos. Trata-se, assim de um contexto económico e geográfico fortemente dependente do sector primário, o qual proporciona um conjunto de oportunidades estratégicas relacionadas com a valorização dos recursos naturais.

Valorização energética de resíduos, recuperação de calor residual, simbiose industrial e integração de renováveis, foram algumas das soluções apontadas pelos especialistas presentes para os negócios da região, que, para além das mais-valias evidentes ao nível do ambiente, têm ainda vantagens do ponto de vista financeiro para as empresas. A aposta na Biomassa foi uma das soluções com maior viabilidade encontrada, uma vez que é uma forma eficaz de minimizar os incêndios, através da redução da carga combustível.

Na sessão, para além da NERSANT e do Agrocluster, falaram e discutiram o tema com os participantes, especialistas da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) e da Universidade do Minho. Esteve em análise um caso de estudo na primeira pessoa, referente à empresa Silicolife, Lda., exemplo empresarial na bioeconomia, patente no estudo de Benchmark do projecto Bio-Ware, que explicou como desenvolver novas vias biológicas para produzir compostos de interesse industrial.

De referir que Bio-Ware visa a promoção da inovação e do empreendedorismo de forma a melhorar a comercialização dos resultados científicos associados à bioeconomia “Verde” (Agroflorestal) e à bioeconomia “Branca” (aplicações industriais e ambientais). Este projecto pretende sensibilizar e disseminar a importância da bioeconomia e da sua integração nos sectores relevantes para a região, promoção de lógicas de colaboração entre os actores nacionais direccionadas para a identificação e valorização de oportunidades de financiamento e promoção da geração de ideias em torno do desenvolvimento de projectos colaborativos entre empresas e entidades de ensino e de ciência e tecnologia. O projecto, dinamizado pela NERSANT e pelo Agrocluster Ribatejo, conta com o co-financiamento do COMPETE 2020.

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