Por todo o país, as universidades públicas e privadas suspenderam as aulas presenciais, uma medida integrada nos planos de contingência contra a propagação do novo coronavírus. Para muitos, como o ISLA, de Santarém, a alternativa não é desconhecida, pois passa por tirar partido e potenciar plataformas digitais que já eram utilizadas por professores e alunos: “a comunidade académica do ISLA, embora cada um em sua casa, está mais junta e unidade do que nunca”, garante Domingos Martinho, director daquela instituição de ensino superior.

Como é que o ISLA respondeu à interrupção do ano lectivo?
A comunidade académica do ISLA respondeu de forma responsável à interrupção das actividades presenciais. Sim, no ISLA foram interrompidas as actividades presenciais não foi interrompido o ano lectivo. Quando no dia 12 de Março chegámos à conclusão que, tendo em conta o perigo de contágio e o alarme social instalado, nomeadamente entre os estudantes e respectivas famílias, colocavam em risco a tranquilidade necessária ao desenvolvimento das actividades lectivas presenciais, decidimos a sua suspensão mas já estávamos a trabalhar há vários dias para que fosse possível a sua substituição por outros meios de ensino que permitem o acompanhamento das actividades escolares presenciais suspensas, nomeadamente recorrendo a instrumentos de ensino à distância.

Os docentes estão preparados para implementarem o ensino à distância?
Os docentes, tal como os estudantes do ISLA, têm feito um esforço fantástico de adaptação a esta nova realidade. Temos docentes com maior experiência do que outros no desenvolvimento de actividades de ensino à distância, mas todos estão a fazer o seu melhor para corresponder a este desafio.
Do ponto de vista institucional conseguimos assegurar que nenhum docente iniciou as actividades lectivas em regime não presencial sem ter tido formação necessária para esse efeito. Nesta altura, já com a segunda semana de ensino não presencial a decorrer, continuamos a apoiar todos os docentes e estudantes tendo por orientação a máxima que ninguém vai ser deixado para trás. A comunidade académica do ISLA, embora cada um em sua casa, está mais junta e unidade do que nunca.

Como é que, em concreto, estão a trabalhar com os alunos?
Os docentes e estudantes dispõem das tecnologias necessárias para o desenvolvimento das actividades lectivas. Já utilizávamos as tecnologias Zoom e Moodle. Alargámos a utilização da tecnologia Zoom, que permite a realização de sessões online em tempo real, a toda a comunidade académica. No caso da plataforma Moodle já era utilizada por toda a comunidade académica e nesta altura trata-se de aprofundar a sua utilização tirando partido de funcionalidades que no contexto do ensino presencial era menos explorada.

Neste momento, toda a oferta formativa migrou, ou integra a componente de e-learning?
A actividade académica relacionada com os cursos com grau (TeSP, licenciaturas e mestrados) migrou na sua totalidade para a componente de ensino à distância. Nos cursos de Pós-graduação e MBA suspendemos apenas três dos 15 cursos em funcionamento devido ao facto da maioria esmagadora dos respectivos estudantes serem profissionais de saúde e da área da protecção civil pelo que não fazia qualquer sentido exigir-lhes que se desviassem do que nesta altura é o mais importante. Todos eles estão nesta altura envolvidos na luta contra o inimigo invisível que veio assolar as nossas vidas. Quando a tormenta passar cá estaremos para reajustar o calendário lectivo. Aproveito a oportunidade para reafirmar, tal como já referi a cada um deles, que nessa altura tudo faremos para que se possa recuperar este tempo agora suspenso. Estamos a torcer pelo trabalho de cada um deles e ansiosos por os receber novamente no nosso convívio académico.

Que soluções estão equacionadas, caso a interrupção escolar se prolongue no tempo?
Nesta altura posso dizer que estamos preparados para tudo. Aliás como temos feito desde o início desta crise planeamos a pensar no pior cenário esperando que aconteça o melhor. Assim se a interrupção se prolongar no tempo (mais um ou dois meses) estou convicto que não deixaremos de corresponder em nenhuma das frentes.
Naturalmente que sabemos que algumas situações não podem ser ultrapassadas através de ensino à distância. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos muitos estudantes que tinham iniciado os seus estágios de final de curso TeSP e que viram essa actividade interrompida. Nesses casos essas actividades terão de ser concluídas quando existirem condições. Do lado dos docentes e funcionários cá estaremos para dar o melhor apoio de modo a assegurar que esses estudantes concluem os estágios e os respectivos cursos sem colocar em causa a continuação dos seus estudos no próximo ano lectivo.

E as infraestruturas tecnológicas existentes estão preparadas para acessos em massa por parte dos utilizadores?
Se a pergunta se refere às infraestruturas tecnológicas à disposição do ISLA a pergunta pode ser respondida através da experiência que temos tido desde o dia 16 de Março. Todas as actividades decorreram com normalidade.
Do mesmo os nossos serviços de apoio estão a funcionar normalmente com recursos ao teletrabalho, pois, para além de termos assegurado as condições para a migração das actividades lectivas, assegurámos também que os nossos funcionários têm acesso às plataformas da escola para desse modo continuarem a desenvolver o seu trabalho que é essencial para o funcionamento da instituição.

Considera que a implementação do ensino à distância em larga escala é possível no País?
Julgo que temos uma situação diferenciada conforme o nível de ensino. No ensino superior tenho a convicção de que a implementação está a acontecer em larga escala. Adoptando soluções e estratégias diferentes a ideia que tenho é que todas as instituições e as respectivas comunidades académicas estão a demonstrar que o sector do ensino superior em Portugal tem capacidade de adaptação e resiliência mesmo nas situações mais adversas.
No que se refere aos restantes níveis de ensino julgo que a situação é mais assimétrica. Não nos podemos esquecer que nem todos os estudantes desses níveis de ensino têm condições de acesso. Por outro lado, e agora falo por experiência pessoal, as soluções adoptadas parecem estar mais dependentes da capacidade de iniciativa e competências digitais de cada um dos professores do que de um esforço coordenado.

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