A Câmara de Abrantes apresentou o projecto da construção da nova Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) no complexo do Parque de Ciência e Tecnologia, um investimento de quatro milhões de euros que assumiu como “prioritário”.

Em declarações à Lusa, o presidente do município Manuel Jorge Valamatos, lembrou os “mais de 10 anos de expectativas” e anúncios de construção e de mudança da ESTA, polo do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), do centro da cidade para o Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Alferrarede, para assegurar que, “independentemente do apoio de fundos comunitários ou não, esta escola vai avançar o quanto antes”.

O concurso da empreitada, referiu, será lançado “ainda durante este ano”.

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“Não vamos esperar nem adiar mais tempo, […] nasce hoje a nova ESTA”, afirmou na sessão pública, que contou com a presença do secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira.

O equipamento, disse o autarca, é “da maior importância” para Abrantes e para a região envolvente, e prevê a reconversão de parte de um edifício industrial em Alferrarede, na periferia urbana da cidade, para ali reinstalar a escola, retirando o equipamento educativo de um antigo espaço situado no centro histórico.

Manuel Jorge Valamatos notou que, “ao longo destes 22 anos de existência, a ESTA tem-se posicionado […] como um dos mais importantes activos do desenvolvimento económico” e da “coesão territorial de Abrantes”, dinamizando a região.

A escola “tem distribuído a sua actividade por várias infra-estruturas espalhadas pela cidade, com as dificuldades inerentes a essa deslocalização”, pelo que “há mais de uma década” estava “identificada a necessidade de centralização de toda a actividade e serviços da ESTA num só edifício”.

A obra, com um prazo de execução previsto de 720 dias, insere-se na reconversão de parte do edifício E9 integrado no conjunto edificado do Parque de Ciência de Tecnologia de Abrantes, numa área de implantação de cerca de 4.409 metros quadrados.

A ESTA terá uma área de 2.909 metros quadrados e o restante espaço destinar-se-á ao acolhimento de empresas de base tecnológica. Neste caso, o concurso público para a empreitada está a decorrer sob responsabilidade da associação Tagusvalley.

O presidente do IPT, João Coroado, lembrou que a ESTA “está há 22 anos em instalações provisórias”, referindo que o projeto hoje apresentado “vai resultar num edifício moderno e vai corresponder às exigências do que é o ensino superior no futuro”.

O representante destacou também a importância de aproximar o tecido empresarial à ciência e à investigação: “Este projeto vem complementar a oferta educativa tendo em conta os laboratórios que já temos a trabalhar no Parque de Ciência e Tecnologia e a dinâmica que se vai criar com as empresas aqui instaladas”, afirmou.

O presidente do Conselho Geral do IPT, Augusto Mateus, também que os desafios actuais das instituições de ensino superior passam por serem “cada vez mais centros de saber, de produção de ciência e de conhecimento” interligados com as empresas da região, alertando para a necessidade do “renovar do ponto de vista pedagógico, quer no modelo de aula, quer na forma de aprendizagem, apostando na criação e desenvolvimento de competências, conhecimento, valor e competitividade”.

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não se comprometeu com apoio do Governo ao investimento anunciado, apontando, contudo, para linhas de financiamento de fundos comunitários que vão “abrir em breve” no âmbito da “qualificação das populações jovem e adulta, em envolvência com as empresas”.

“Eu raramente conheço um projeto bom que não tenha financiamento”, concluiu João Sobrinho Teixeira, questionado sobre a viabilidade da candidatura que vai ser apresentada pelo município de Abrantes e pelo IPT.

Com esta deslocalização para Alferrarede, a autarquia compromete-se a criar residenciais para estudantes no centro histórico de Abrantes, a par dos respetivos acertos nos horários e na quantidade de transportes públicos urbanos, atendendo aos fluxos necessários.

Parte integrante do IPT, com instalações em Tomar e um total de 2.460 estudantes, a ESTA conta actualmente com 440 alunos matriculados nos quatro cursos de licenciatura, um curso de mestrado e seis pós-graduações.

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