O relatório de sinistralidade a 24 horas e fiscalização rodoviária relativo a 2020 da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviário (ANSR) revela que o número de vítimas mortais nas estradas do distrito de Santarém aumentou 6,3 por cento, num total de 34 mortos, mais dois que em 2019. O distrito de Santarém contrariou a tendência nacional de descida de cerca de 20 por cento.

Segundo a ANSR, os distritos de Santarém, Viana do Castelo, Leiria e Lisboa tiveram aumentos de vítimas mortais na contabilidade anual. Os acidentes no distrito de Viana do Castelo provocaram 21 mortos em 2020, mais 10 do que em 2019 (+90,9%), em Leiria registaram-se 29 mortos, mais cinco (20,8%), em Lisboa morreram 54, mais 4 (8%), e em Santarém verificaram-se 34 mortos, mais dois (6,3%), enquanto em Castelo Branco os feridos graves aumentaram 25%, passando dos 68 em 2019 para 85 no na passado.

A nível nacional, o relatório anual hoje divulgado refere que, os acidentes rodoviários com vítimas diminuíram cerca de 25% em 2020 face ao ano anterior e os mortos e os feridos graves registaram uma redução de 20%, num ano marcado a partir de meados de Março com medidas de confinamento para conter a pandemia de covid-19 e com consequências na mobilidade.

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Segundo a ANSR, em 2020 registou-se uma redução de 14,4% no consumo de combustível rodoviário face a 2019, correspondendo a uma variação no mesmo sentido dos quilómetros percorridos.

O relatório da ANSR, que pela primeira vez engloba nos dados anuais os números dos Açores e da Madeira, indica que em 2020 se “observou uma redução substancial nas principais variáveis de sinistralidade rodoviária relativamente ao ano anterior”, tendo-se registado menos 9.526 acidentes (-25,6%), menos 116 vítimas mortais (-22,3%), menos 536 feridos graves (-21,2%) e menos 12.882 feridos leves (-28,7%).

A Segurança Rodoviária destaca que esta evolução positiva ocorreu tanto no Continente como nas Regiões Autónomas no que respeita às variações registadas pelos diferentes indicadores de sinistralidade.

Em relação ao Continente, a ANSR precisa que se registaram 26.501 acidentes com vítimas em 2020, dos quais resultaram 390 mortos ocorridas no local do acidente ou durante o transporte até à unidade de saúde, 1.829 feridos graves e 30.706 feridos ligeiros.

Em comparação com 2019, ocorreram menos 9.203 acidentes (-25,8%), menos 84 vítimas mortais (-17,7%), menos 472 feridos graves (-20,5%) e menos 12.496 feridos ligeiros (-28,9%).

O relatório mostra que no ano passado se verificaram os melhores resultados em todos os indicadores de sinistralidade desde 2016.

De acordo com o mesmo documento, a colisão foi a natureza de acidente que ocorreu com mais frequência em 2020, representando aproximadamente metade dos desastres com vítimas e dos feridos, mas o maior número de vítimas mortais ocorreu na sequência de despistes (45,9%).

Em termos de localização, a maior parte dos desastres e vítimas ocorreu dentro das localidades: 79,0% do total de acidentes, 50,8% das vítimas mortais, 62,3% dos feridos graves e 77,7% dos feridos leves.

Quanto ao tipo de via, o relatório refere que os arruamentos concentraram 62,6% dos acidentes com vítimas, 32,1% dos mortos e 43,2% dos feridos graves, no entanto o maior número de vítimas mortais ocorreu nas estradas nacionais, com 34,6% do total.

Em 2020, o índice de gravidade registou um aumento de 10,9% face a 2019, de 1,33 para 1,47 vítimas mortais por cada 100 acidentes, verificando-se os maiores aumentos nas auto-estradas (+27,1%), seguidas das estradas nacionais (+20,0%).

Por sua vez, a maior redução ocorreu nos itinerários principais (-47,0%) embora o índice de gravidade ainda se tenha situado nas 3,23 vítimas mortais por cada 100 acidentes.

O documento indica também que 69,7% do total de vítimas mortais eram condutores, 14,6% passageiros e 15,6% peões, dando conta que são os automóveis ligeiros os veículos com mais expressividade nos acidentes (71,6).

Os acidentes envolvendo ciclomotores e motociclos reduziram 17,7% face a 2019 e os envolvendo velocípedes diminuíram 2,3%.

O documento de balanço de 2020 refere ainda que mais de metade (54,4%) das vítimas mortais se registaram na rede rodoviária sob responsabilidade de quatro gestores de infra-estruturas: Infraestruturas de Portugal (42,1%), Brisa (6,2%), Ascendi (3,1%) e Câmara Municipal de Lisboa (3,1%).

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