A semana que passou fica marcada, infelizmente, pelo regresso dos Talibãs ao poder do Afeganistão.

20 anos volvidos, e os Pashtun (etnia predominante entre a população Afegã e à qual pertencem os Talibã) reconquistaram em poucas semanas o país perdido.

O afastamento do ocidente daquele país, que culminou com a antecipação da retirada das forças norte americanas, foi abrindo terreno a uma reconquista que se perspetivava que, mais cedo ou mais tarde, pudesse ocorrer. A surpresa, ou talvez não, foi a reconquista e chegada a Cabul das tropas Talibãs ter sido repentina. Demasiado repentina. Ao ponto de ainda restarem alguns, poucos, milhares de militares americanos naquela cidade e com a existência de forças armadas afegãs armadas no território e, mesmo assim, não houve capacidade de resistência.

O que é que isto tem a ver com Portugal e o Ocidente? Tem tudo.
O Afeganistão é um dos grandes produtores mundiais de ópio, é um país em guerras constantes, com uma etnia dominante e que tem no vizinho Paquistão um enorme poder.

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A juntar a isto, trata-se de uma cultura que temos dificuldade em compreender e longe dos cânones em que vivemos no mundo ocidental de matriz humanista e europeia.
Desde logo, e à cabeça, a inexistência de respeito pelos Direitos Humanos.

O radicalismo que os lidera e a lei que defendem, tem como centro de atuação a desvalorização do papel da mulher e das crianças.

E sim, em pleno Século XXI ainda se assistem a países, principalmente na Ásia e África, em que o papel da mulher na sociedade, e a possibilidade de ter direitos como os homens, pura e simplesmente não existe.

E em que as crianças são “formatadas” em lógicas religiosas e culturais para servir os interesses superiores dos pais e do seu fanatismo. É como se em pleno Século XXI coexistissem mundos radicalmente opostos. E existem.

Felizmente, são países que se constituem como exceções. As mulheres souberam, depois de séculos de luta para afirmação do seu papel na sociedade, ultrapassar as muitas barreiras que lhes foram sendo colocadas. E são hoje, em muitas sociedades, o motor galvanizador para a sua evolução e reflexão sobre temas e preocupações até aqui inexistentes. A igualdade entre homens e mulheres é hoje muito mais do que um chavão. Hoje é um caminho para a real e total equivalência. E felizmente sem retorno. E que se espera sem necessidade de quotas ou de outras medidas de alcance semelhante, que o tempo possa tornar desnecessárias.

Inato ou adquirido, esse caminho continuará a ser percorrido para que as sociedades continuem a evoluir. E para que, um dia, as mulheres no Afeganistão e em tantos países desse mundo, possam ser realmente reconhecidas como mulheres. E respeitadas enquanto tal.

Ainda lhe parece distante aquela infeliz realidade?

Inato ou Adquirido – Ricardo Segurado

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