A realização da Feira Nacional da Agricultura em situação de pandemia foi “um sinal da capacidade do sector para resistir às crises” e um esforço de valorização do trabalho dos agricultores portugueses.

Luís Mira, administrador do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), espaço que acolhe a Feira Nacional da Agricultura/Feira do Ribatejo desde 1994, salientou não ser possível comparar a 57.ª edição do certame com as anteriores, dadas as circunstâncias excepcionais em que ocorreu e depois de ter sido cancelada em 2020, devido à pandemia da covid-19.

Salientando que só a sua realização já foi “um sucesso”, o também secretário-geral da CAP afirmou, em conferência de imprensa de balanço da FNA, que esta “deu um sinal da capacidade do sector agrícola para resistir às crises”.

“Podemos dispensar muita coisa – andar de avião, fazer férias, ir ao cinema -, mas não podemos dispensar comer e é a agricultura quem nos proporciona ‘esse comer’. Espero que esta feira tenha contribuído também para isso, para valorizar aquilo que é o trabalho do agricultor e que é feito todos os dias”, declarou.

Entre as adaptações que o certame foi obrigado a fazer, decorrentes das regras estabelecidas com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a opção por um “complemento digital” veio “para ficar”, disse Luís Mira, salientando as mais de 216 mil visitas realizadas na plataforma, por pessoas de todos os continentes (Europa, América, África, Ásia e Oceânia), com 524 mil acções, como visualizações de vídeos, ‘downloads’, pesquisas.

As conferências realizadas ao longo dos cinco dias do evento tiveram mais de 20 mil visualizações, além das 9 mil participações físicas nos debates realizados no certame, este ano dominados pelo tema da feira “A água na Agricultura”.

Sobre a questão da água, o responsável do CNEMA lamentou que o rio Tejo “não tenha tido água para regar” na semana passada e pediu que acabem “as desculpas com os espanhóis” e se encontre uma solução para o problema.

Luís Mira afirmou que a componente digital da feira (eFNA), que contou com mais de 400 expositores, colmatou o abaixamento no número de visitantes, que este ano rondou as 44 mil pessoas, contra a média de 200 mil das edições anteriores à pandemia.

Salientando que o certame decorreu com “toda a dignidade, dentro das circunstâncias”, o administrador do CNEMA disse que as regras acordadas com a DGS “de uma forma geral foram cumpridas”, agradecendo a presença “determinante” dos agentes da PSP.

“A presença da PSP foi determinante para o cumprimentos da regras impostas para este tipo de eventos”, disse Luís Mira, acrescentando que “foi totalmente diferente ter a PSP em vez de segurança privada”.

Luís Mira reconheceu a existência de casos pontuais que exigiram uma intervenção, como, sábado à noite, ter sido derrubada a grade de acesso à bancada para a largada de toiros, o que obrigou ao cancelamento desta actividade, já que a lotação de um terço foi largamente excedida.

Luís Mira afirmou que, graças ao controlo de entradas, foi possível assegurar que a presença simultânea de visitantes no recinto (que tem uma área de 64 hectares) nunca tenha excedido as 7 mil pessoas, o mesmo acontecendo com as naves, cuja lotação definida pela DGS foi de 372 pessoas.

“As pessoas sentiram-se seguras”, afirmou, acrescentando que os testes ao vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, realizados a expositores, funcionários e colaboradores deram todos negativo, não tendo sido igualmente registada qualquer temperatura fora do normal no controlo feito à entrada aos visitantes.

A 57.ª Feira Nacional da Agricultura/67ª Feira do Ribatejo termina hoje, dia em que recebe a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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