Opinião/Susana Coimbra: Memorável – Paulo Renato

Paulo Renato, um artista maior da Cultura Portuguesa, um verdadeiro galã, um actor que se destacou pela, inteligência, coragem e atitudes, excelência física e boa aparência. Figura relevante da Arte de Representar quer como actor, encenador ou director teatral. Um homem que venerava a trepidante e movida cidade de Lisboa. Para além, do seu porte elegante a lembrança que temos é da sua voz, senhor de um timbre inconfundível, ainda hoje o identificamos sempre que o vimos nalguma peça de teatro. Homem de família dedicado e amistoso, permanentemente com uma postura irrepreensível mesmo em situações adversas quando primou pela ética e verdade. Extremamente exigente com a sua aparência e com um extraordinário dom da palavra, Paulo Renato desapareceu cedo demais.

Renato Ramos Paulino, conhecido por Paulo Renato nasceu em Lisboa a 23 de Outubro de 1924. Discípulo abnegado, sempre demonstrou desde muito novo destreza e sagacidade para representar. A sua carreira artística iniciou-se por volta de 1946, no Teatro Estúdio do Salitre, no Instituto de Cultura Italiana orientado por Gino Saviotti. Era um agrupamento experimental onde a dedicação e amor pelo Teatro era largamente vivenciado e de onde saíram nomes como David Mourão Ferreira e Luis Francisco Rebelo. Deste nobre agrupamento, Paulo Renato foi actuar no grupo de Pedro Bom no antigo Café Lisbonense, com Glicínia Quartin, e também na companhia experimental de Tomás Ribas em 1949. Conseguiu entretanto um pequeno papel no filme “Sol e Toiros” que tinha como protagonista o toureiro Manuel dos Santos.

Reconhecido o seu talento, a sua estreia como profissional teve lugar no Teatro Nacional D. Maria II decorria o ano de 1950, com a peça “Crime e Castigo”. A sua figura bonita e elegante aliado a uma voz bem colocada fez dele o galã das décadas de 50 e 60 granjeando-lhe popularidade e aplausos por onde actuava consolidando a sua carreira paulatinamente.

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Em 1955 contracenou com Amália Rodrigues no Teatro Monumental na peça “A Severa” mas foi com a actriz Laura Alves que formou a grande parceria de comédia em inúmeras peças como é o caso da “Rainha do Ferro Velho”, “O Comprador de Horas” e os musicais “Margarida da Rua” e “Boa Noite Betina” entre muitas outras. A sua actividade estendeu-se à Rádio onde foi uma das vozes mais notáveis nos Folhetins Radiofónicos ou no Pátio das Comédias da Emissora Nacional. Também fez Teatro de Revista e gravou diversos anúncios quer na televisão quer na rádio.

Paulo Renato passou de encenador de grupos amadores, a encenador de grupos profissionais. Neste âmbito dirigiu Maria Barroso na peça “O Segredo” de Michael Redgrave e Raul Solnado de quem era amigo nas peças “Amor às Riscas”, “Vison Voador”, encenando também as peças “O Ovo” e “A Tocar é que A Gente se Entende”.

O actor e encenador desempenhou também funções de director teatral, e foi como director que esteve algumas temporadas além-mar, nas antigas colónias portuguesas a dirigir uma companhia e a desempenhar papéis de destaque e com um reportório que agradaram imenso o público. Foi em Luanda que Paulo Renato fundou uma escola de actores que germinou num movimento teatral deveras importante.

No Cinema Paulo Renato participou em diversos filmes como por exemplo “Quando o Mar galgou a Terra”, “Sangue Toureiro”,” Raça”, “Estrada da Vida”, “Pássaros de Asa Cortada” e “Os Verdes Anos”. Foi uma das figuras marcantes da Televisão, pois a sua presença assídua no ecrã aproximou o actor ainda mais dos portugueses. Colaborou no inesquecível programa “Zip Zip” em alguns sketches cómicos ao lado do seu amigo Raul Solnado. Com Luís Sttau Monteiro, Maria Leonor, Raul Calado e Maria João Seixas fez parte do júri do inolvidável concurso televisivo “A Visita da Cornélia” em 1977. Também as peças de teatro apresentadas na RTP e que ainda hoje são possíveis de (re) ver apresentaram e aproximaram o actor do público como é o caso da peça“A Menina Feia”.

Faleceu em Lisboa no Natal de 1981 tinha apenas 57 anos. A filha, Isolete que em pequena acompanhou muitas vezes o pai nos bastidores das peças, mantém viva e sempre presente a memória do seu querido e saudoso pai. É com profundo respeito e orgulho que homenageamos Paulo Renato, um artista excepcional e deveras MEMORÁVEL!

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