A Câmara Municipal de Sardoal aprovou hoje, por maioria, um orçamento de 15,8 milhões de euros (ME) para 2026, equilibrado entre receitas e despesas, com forte aposta em investimento em obras, habitação, educação e infraestruturas.

O orçamento de Sardoal para 2026, aprovado com os votos favoráveis da maioria PSD, um voto contra e outra abstenção dos dois eleitos do PS, prevê um total de 15,8 ME em receitas e despesas, refletindo uma redução de 2,3 ME face ao ano anterior (18,1 ME).

As receitas correntes ascendem a cerca de 9 ME, representando 57% do total, enquanto as receitas de capital somam 6,8 ME, correspondendo a 43%, num documento que “mantém o equilíbrio financeiro” e apresenta uma estrutura orçamental dependente das transferências do Estado, que totalizam aproximadamente 6,9 ME, 76% das receitas correntes.

Na apresentação do orçamento, o presidente da Câmara de Sardoal afirmou que o documento “marca o início de um novo ciclo autárquico, alinhado com investimentos estratégicos anteriores e enquadrado nos programas nacionais e comunitários” de apoio.

“Mantemos o compromisso de reforçar a habitação, educação, saúde e proteção civil, sempre em parceria com entidades locais e regionais”, disse Pedro Rosa (PSD), a cumprir o primeiro ano do seu primeiro mandato.

As despesas correntes totalizam 8,6 ME, dos quais 4,1 ME são destinados a remunerações permanentes e 2,1 ME à aquisição de bens e serviços, com os encargos com segurança social a superarem o milhão de euros.

Entre os principais projetos de investimento, destacam-se a construção da Creche Municipal (1,165 ME), a requalificação do Jardim de Infância da Presa (290 mil euros), a reabilitação do Mercado Municipal (273 mil euros), eficiência energética na Piscina Coberta (217 mil euros) e a construção do Parque Habitacional da Fonte da Estrada, integrado na Habitação a Custos Acessíveis, com um valor total de 3,8 ME previsto para dois anos.

O orçamento também prevê 546 mil euros para intervenções na Igreja Matriz de Sardoal, com um custo total que poderá atingir 800 mil euros, investimentos em mobilidade, turismo, património e cultura, incluindo a dinamização do Centro Cultural Gil Vicente e a promoção de atividades desportivas e associativas.

A ação social, a proteção civil e a floresta recebem atenção especial, com destaque para a implementação da “Casa da Proteção Civil”, modernização do corpo de bombeiros, programas de prevenção de incêndios e apoio às vítimas.

Para Pedro Rosa, o orçamento “reflete o compromisso com a transparência, a prudência e a proximidade com os cidadãos, garantindo respostas eficazes às necessidades da comunidade, ao mesmo tempo que promove a sustentabilidade financeira e o desenvolvimento territorial”.

Em declaração de voto, o vereador do PS, Pedro Duque, que se absteve, lamentou que nenhuma das propostas estruturais apresentadas pelo PS tenha sido acolhida, justificando a abstenção com a “complexidade financeira acrescida” do município em 2026 e a necessidade de solidariedade institucional face aos danos recentes causados pelo mau tempo.

Já o segundo vereador do PS, Miguel Alves, votou contra, defendendo que o orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2026 “privilegiam a gestão corrente” e revelam “falta de ambição política e de inovação, apesar da renovação de lideranças” no executivo.

A política fiscal do município para 2026, por sua vez, foi hoje aprovada por unanimidade.

No que diz respeito ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), mantém-se a taxa de 0,325% para prédios urbanos e de 0,8% para prédios rústicos, com uma redução para agregados familiares em função do número de dependentes a cargo. Há ainda uma majoração em 20% para prédios urbanos degradados e majoração para o dobro nos prédios rústicos com áreas florestais que se encontrem em situação de abandono.

Segundo a lei, a taxa de IMI para prédios urbanos pode variar entre os 0,3% e os 0,45%, cabendo aos municípios fixar o valor entre este intervalo.

Já a participação variável no Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) mantém-se nos 5% em 2026, enquanto a Taxa Municipal de Direitos de Passagem continua a situar-se nos 0,25%, a taxa máxima.

A Derrama vai manter-se em 0,01% para empresas com volume de negócios até 150 mil euros. No caso das empresas com volume de negócios superiores, a taxa sobe para os 1,5%.

O documento vai ainda ser votado no dia 29 de Dezembro, em Assembleia Municipal, órgão onde o PSD tem maioria absoluta.

Leia também...

Ourém investe 116 milhões de euros até 2030 para atrair pessoas e negócios

O município de Ourém prevê receber um investimento de 116 milhões de euros até 2030 em diferentes áreas para melhorar o concelho e atrair…

Associação de Moradores faz “levantamento fotográfico” em passeio pelo centro histórico de Santarém

A direcção da Associação de Moradores do Centro Histórico de Santarém realizou no sábado, dia 28 de Setembro, “um passeio pelo centro da cidade…

Campo Militar de Santa recebe exercícios com fogos reais

O Polígono de Tiro da Brigada Mecanizada do Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, vai receber exercícios de fogos reais com diversos sistemas…

Misericórdia de Santarém vai avançar com acção contra município no Tribunal Administrativo

A Misericórdia de Santarém vai avançar com uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria (TAFL) contra o município escalabitano, para ser ressarcida…