A Câmara Municipal de Santarém apresentou, no dia 19 de Março, o projecto de requalificação da frente ribeirinha, que prevê um investimento de 4,7 milhões de euros. O “Parque Natura Tejo” tem como objectivo devolver o rio à cidade, promovendo um espaço de lazer, desporto e convívio entre a Ribeira de Santarém e Alfange.

O projecto, desenvolvido pela Câmara Municipal em colaboração com a empresa Topiaris – Landscape Architecture, será concretizado em duas fases. A primeira fase contempla a criação do Parque Desportivo do Tejo e deverá ter início em 2025, num investimento de um milhão de euros. Já a segunda fase, que abrange a requalificação total da área entre a Ribeira de Santarém e Alfange, prevê a construção de passadiços, trilhos, miradouros, zonas de recreio e um anfiteatro natural.

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, destacou a importância desta intervenção na relação da cidade com o Tejo. “Santarém tem o rio aos seus pés, mas nunca soube aproveitar verdadeiramente este património. Queremos devolver o rio à população e criar um parque verde para as famílias desfrutarem desta zona única do nosso concelho”, afirmou.

A iniciativa visa a conservação da natureza e o restauro natural, recorrendo a soluções baseadas na engenharia natural para minimizar o impacto ambiental. A requalificação irá também valorizar a história e cultura local, através da recuperação da Ribeira dos Barcos e da dignificação do Padrão de Santa Iria.

Entre as infraestruturas previstas encontram-se passadiços sobre o rio, acessos para pequenas embarcações, ciclovias, parques infantis e juvenis, um parque canino, percursos de interpretação da natureza, campos de futebol e vólei de praia. Haverá ainda uma forte aposta na observação de habitats naturais, incluindo espécies como a boga de boca arqueada de Lisboa e a lontra, reforçando o carácter ecológico do projecto.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está envolvida na planificação do projecto, dado que a área a intervencionar se encontra em leito de cheia. João Teixeira Leite garantiu que todas as preocupações ambientais foram consideradas: “Trabalhámos em conjunto com a APA para assegurar que a obra respeita os equilíbrios naturais da frente ribeirinha”, afirmou.

O financiamento do projecto está assegurado em grande parte pelo programa Portugal 2030, que já garantiu um apoio de 3,5 milhões de euros. Caso não seja possível obter mais fundos comunitários, a autarquia compromete-se a suportar os restantes 1,2 milhões de euros necessários para a sua concretização.

O “Parque Natura Tejo” será um dos projectos estruturantes da cidade nos próximos anos, promovendo a requalificação urbana e ambiental de uma zona que há muito necessitava de intervenção. “Esta obra é para ser uma realidade. Hoje, damos o primeiro passo de um caminho que transformará a nossa cidade e a forma como nos relacionamos com o Tejo”, concluiu o autarca.

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