Diácono assume agora as funções de ecónomo da Diocese de Santarém. João António Mendes Neves sucede-lhe na direcção do Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência.
O diácono Paulo Campino deixou a direcção do Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência de Santarém, depois de 28 anos de trabalho marcados pela formação de catequistas, renovação dos materiais catequéticos e colaboração com estruturas nacionais e outras dioceses.
O responsável cessante, que assumiu entretanto as funções de ecónomo da Diocese de Santarém, faz um balanço positivo de quase três décadas ao serviço da catequese, sublinhando a evolução registada na forma como a Igreja procura acompanhar crianças e adolescentes.
“Foram 28 anos de muita entrega, de muita disponibilidade, mas também foram 28 anos de muito enriquecimento”, afirmou Paulo Campino, numa entrevista ao EDUCRIS, plataforma do Secretariado Nacional da Educação Cristã.
O diácono recorda o apoio recebido desde os primeiros anos de formação, com as Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima, assim como o trabalho desenvolvido com as dioceses da Zona Centro e com o Secretariado Nacional da Educação Cristã.
Ao longo das quase três décadas em que esteve à frente do secretariado diocesano, Paulo Campino acompanhou alterações profundas na catequese em Portugal, entre as quais a revisão dos catecismos, a publicação de novos documentos orientadores e a adopção de metodologias centradas numa participação mais activa das crianças e dos jovens.
“Houve, nestes anos, um manancial de material e, sobretudo, de renovação catequética que, naturalmente, enquanto responsável do Secretariado de Santarém procurei participar, procurei intervir, procurei dar em cada momento o meu melhor, sabendo que com lacunas, mas sempre ao serviço do Reino”, afirmou.
Catequese centrada no encontro
Para Paulo Campino, a principal alteração registada nas últimas décadas está relacionada com a mudança de paradigma da própria catequese. Mais do que a transmissão de conhecimentos religiosos, o objectivo passa por proporcionar uma experiência de proximidade e encontro pessoal com Jesus Cristo.
“Hoje, mais do que dar conteúdos, é promover a intimidade, é levar ao encontro com Jesus Cristo”, sustentou.
Segundo o diácono, a finalidade da catequese manteve-se, apesar das alterações verificadas nos métodos e nos materiais: anunciar o Evangelho e ajudar crianças e adolescentes a estabelecer uma relação pessoal com Cristo.
“Há sempre a mesma preocupação: anunciar o Reino e ajudar a despertar estes valores do Evangelho, esta proximidade, esta intimidade com Jesus Cristo”, explicou.
A renovação implicou igualmente uma alteração no papel do catequista e no envolvimento dos catequizandos. Paulo Campino considera que a criança ou o jovem deve assumir uma posição mais activa no processo de descoberta e adesão à fé
“O catequizando torna-se protagonista da sua própria adesão a Jesus Cristo”, afirmou, reconhecendo que esta mudança pode obrigar os catequistas a abandonar práticas instaladas e a adaptar a sua forma de trabalhar.
Paulo Campino integrou também uma equipa nacional responsável pela elaboração de materiais catequéticos. A experiência, recorda, permitiu-lhe compreender melhor a exigência e a responsabilidade associadas à preparação de conteúdos destinados a realidades diocesanas e comunitárias diferentes.
Trabalho com outras dioceses
O antigo director do secretariado destaca ainda a colaboração desenvolvida entre a Diocese de Santarém, as restantes dioceses e o Secretariado Nacional da Educação Cristã.
“Foi sempre um trabalho colaborativo, ou, como agora se diz, um trabalho sinodal”, afirmou.
Paulo Campino expressou gratidão pelo apoio humano, material e financeiro prestado pelo organismo nacional, considerando que várias acções de formação e iniciativas realizadas em Santarém só foram possíveis devido a essa colaboração.
“Muitas das actividades que fizemos aconteceram fruto da generosidade do SNEC”, referiu.
O diácono reconhece que a catequese enfrenta actualmente dificuldades, entre as quais a redução do número de catequistas e a necessidade de encontrar pessoas preparadas para responder às exigências dos novos modelos de acompanhamento.
“Nós estamos sempre em caminho e nunca devemos estar plenamente preparados”, afirmou, defendendo que as comunidades devem continuar a procurar novas formas de transmitir a mensagem cristã.
Apesar das dificuldades, Paulo Campino considera que o objectivo permanece inalterado: “Queremos que as crianças e os jovens continuem a reconhecer Jesus Cristo como o amigo que torna a nossa vida mais feliz.”
João Neves assume direcção
Paulo Campino será substituído pelo diácono João António Mendes Neves, nomeado pelo bispo de Santarém, D. José Traquina, para dirigir o Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência.
O responsável cessante manifesta confiança na escolha e considera que o sucessor reúne as condições necessárias para dar continuidade ao trabalho realizado.
“Creio mesmo que é a pessoa certa para o lugar certo”, afirmou, destacando a disponibilidade, humildade e formação de João Neves, assim como o reconhecimento de que beneficia entre os catequistas da diocese.
“Acho que o João continuará a fazer um bom trabalho na Catequese em Santarém e dará certamente o melhor de si nesta missão”, concluiu Paulo Campino.
