O PCP acusou PSD e PS de não terem avançado com soluções para estabilizar as barreiras nas encostas de Santarém, alertando que a falta de intervenção coloca populações e infraestruturas em risco sempre que ocorrem intempéries mais intensas.

Num comunicado da Comissão Concelhia de Santarém, o partido afirma que as tempestades recentes voltaram a expor as instabilidades das encostas, criticando o PSD e PS de terem acumulado “promessas” sem concretizar o projeto de reabilitação das barreiras.

“No meio de promessas, estudos e anúncios adiados, faltou sempre concretizar um projeto integrado de reabilitação das barreiras que garantisse a estabilidade das encostas e a segurança das populações”, sustentou o partido.

As encostas de Santarém voltaram a revelar sinais graves de instabilidade nas últimas semanas, situação agravada pelas chuvas intensas e pelas cheias no rio Tejo, que saturaram os solos e provocaram movimentos de massa em várias zonas do concelho.

O PCP argumenta que cada episódio de mau tempo demonstra os “custos da inação” e alerta que estes custos “podem recair sobre a segurança das populações e a mobilidade do concelho”.

Assim, o partido defende que a mudança do traçado da Linha do Norte, que acompanha o planalto de Santarém, permitiria reduzir a pressão sobre as encostas e, simultaneamente, “modernizar” o principal eixo ferroviário do país, além de abrir caminho “a uma requalificação urbana na zona da Ribeira de Santarém”.

A estrutura partidária defende ainda a deslocalização da estação ferroviária para um local com melhores condições “de segurança e acessibilidade”, e avançar com investimento público que “permita uma reabilitação definitiva das encostas”.

O vereador Pedro Gouveia, eleito pela coligação PSD/CDS-PP, afirmou na reunião de câmara de 09 de Fevereiro que o município está a “monitorizar desde o primeiro dia” a situação das encostas, sublinhando que estas “já eram uma preocupação antiga” e que a instabilidade recente veio reforçar “a necessidade de acompanhamento permanente”.

Segundo o autarca, a Câmara contactou o projetista responsável pelo Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém (PGEES), o geotécnico Alexandre Pinto, professor no Instituto Superior Técnico, que se disponibilizou para deslocar-se ao local e apoiar o município na avaliação dos riscos, com o apoio da Força Especial de Proteção Civil e com equipas operacionais de drones, que recolheram informação destinada a definir a estratégia de intervenção.

O vereador explicou que esta avaliação permitirá determinar “o que fazer em cada uma das situações”, que descreveu como “todas diferentes”, bem como estabelecer prioridades de intervenção.

Adiantou ainda que o município está a preparar futuras candidaturas a financiamento nacional, uma vez que o investimento necessário para estabilizar as barreiras será “muito considerável”.

Numa publicação das redes socais, o presidente da Câmara de Santarém, João Leite, sublinhou que o município enfrenta “um problema estrutural”, cuja resposta exige uma intervenção “à escala nacional”, garantindo que o executivo camarário está a trabalhar “com responsabilidade, determinação e sentido de urgência”.

Entre os episódios mais recentes relacionados com a instabilidade das encostas de Santarém, destaca‑se o deslizamento de terras que atingiu o parque de estacionamento do Miradouro de Atamarma, no centro histórico, onde parte do muro de sustentação colapsou para as barreiras do planalto, obrigando à retirada de viaturas.

Também a Estrada de Alfange, que liga a cidade à povoação ribeirinha de Alfange, foi interdita ao trânsito automóvel e pedonal após um deslizamento ocorrido no talude da encosta das Portas do Sol.

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