Soubemos há dias que este ano, e que me lembre pela primeira vez, a organização da Feira Nacional de Agricultura (FNA) não irá convidar o Governo para estar presente.

Esta atitude do CNEMA, entidade organizadora da Feira Nacional de Agricultura, resulta de um enorme erro de avaliação e de desconsideração institucional, que despreza todo o passado da Feira.

Apetecia-me dizer que a Feira é de Santarém, dos Ribatejanos ou da Agricultura (ou da lavoura como tantos gostam de referir). Mas, a atitude ora adotada vem demonstrar à saciedade e de forma totalmente enviesada que de facto não é.

É do CNEMA.

O CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas é uma entidade privada e com uma estrutura acionista variada. Da CAP à Confagri, passando pela Câmara Municipal de Santarém, pela Santa Casa da Misericórdia de Santarém, por empresas privadas, pela Ordem dos Engenheiros e incluindo o próprio Ministério da Agricultura e da Alimentação, são mais de uma dezena de entidades que detêm o capital social da entidade organizadora da Feira.

A FNA tem os seus alicerces numa feira organizada no planalto de Santarém, passando a denominar-se de Feira Nacional de Agricultura apenas em 1964 quando à data a Feira do Ribatejo já se encontrava na sua 10ª Edição. A FNA era assim uma feira organizada em espaço aberto, no Campo Emílio Infante da Câmara, em plena Cidade.

Diversas razões levaram à mudança para o novo espaço, em 1994, para a Quinta das Cegonhas, sendo que uma delas, relacionada com a dimensão, registou um crescimento exponencial, permitindo afirmar a FNA de forma clara e inequívoca como a grande feira agrícola do país, com capacidade de demonstração, dinamização e valorização da evolução que o país tem vindo a registar ao longo de décadas no Setor.

O que se perdeu de tradicional e típico ganhou-se em modernidade e inovação.

E ao longo de todos estes anos, os diversos Governos foram sempre convidados a estar presentes na Feira. E bem.

Porque há um valor Institucional e um respeito para com os diversos poderes público e seus representantes que nunca foi esquecido. Porque é importante serem tidos em conta a valorização e o reconhecimento das instituições como entidades legítimas e importantes na sociedade e tratar os seus representantes com consideração e respeito. Sem se ser subserviente.

Goste-se mais ou menos das pessoas que ocupam os cargos, as Instituições têm de estar sempre acima disso. E para esta equação, na sua avaliação, não pode sequer entrar em linha de conta os diversos organismos do Ministério da Agricultura que sempre estiveram presentes na Feira e penso que continuarão a estar. Ainda para mais quando o próprio Ministério é acionista da entidade organizadora.

Acresce saber qual o papel da Câmara Municipal de Santarém. Estando representada em alguns órgãos sociais do CNEMA, nomeadamente com dois representantes no Conselho de Administração, importa conhecer o que foi feito sobre esta posição de não convidar o Governo.

A Câmara concorda? É contra? Ou os seus representantes limitaram-se a adotar um papel similar a ex. concorrentes do “Big Brother” e limitam-se a estar presentes nos órgãos e nos eventos, fazendo figuração?

Ainda há tempo para ponderar e adotar a atitude correta. E perceber que está em causa todo um passado de relações institucionais que agora é posto em causa. Sem sentido.

Porque a Feira Nacional de Agricultura tem de ser muito mais do que isto.

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