O Centro Cultural e Recreativo de Fontainhas e Graínho festejou, no passado domingo, dia 13, o seu 47º aniversário, reunindo à mesa associados, familiares e muitos amigos de uma colectividade que está apostada em divulgar e preservar as tradições ribatejanas. Jorge Oliveira, presidente da Assembleia Geral, traça o retrato desta colectividade que tem actualmente cerca de 250 associados.

Quais as actividades que esta colectividade proporciona aos seus associados?
Esta colectividade foi fundada em 1975. Na génese do Centro Cultural e Recreativo de Fontainhas e Graínho esteve a organização de bailes pelo Carnaval, que decidiram dar o passo e estabelecer aqui esta colectividade. Na altura, era tudo feito com uma certa “carolice” e, de certa forma, ainda hoje é assim. Claro que não podemos comparar a realidade actual à que existia então. Hoje, além da carolice, que continua, há muita responsabilidade. Actualmente, um dirigente associativo de qualquer actividade ou sector, tem que ter a noção das suas responsabilidades como dirigente. E nós também nos vamos adaptando a estas novas exigências. Eu defendo que os dirigentes terão, cada vez mais, que enveredar pela capacitação nas várias áreas: só assim este movimento poderá ter futuro. Relativamente às actividades, esta casa, essencialmente, sempre promoveu o associativismo na vertente cultural, recreativa e desportiva, sem qualquer aspecto competitivo. Mesmo no aspecto desportivo, o que temos é o lazer e os jogos tradicionais. Nós preservamos muito o jogo tradicional do chinquilho. Aqui ao lado da colectividade, temos dois tabuleiros montados e, ao sábado e domingo, juntam-se aqui equipas a jogar. É um jogo muito antigo que continuamos a preservar.
Tudo o que acontece em termos culturais nestas aldeias passa por aqui. Seja a própria casa mãe, o Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Graínho, seja o Rancho do Bairro, sejam os amigos do passeio clássico que se formaram agora recentemente, seja uma escola de karaté em que funciona aqui com miúdos, duas vezes por semana. A sala da colectividade é também solicitada por associados a fim de se realizarem casamentos e baptizados. A nossa colectividade tem um bar a funcionar com trabalho voluntário dos dirigentes desta casa: são eles que asseguram o seu funcionamento, de forma voluntária, e essa é uma fonte de receita importante.

Como é que a associação viveu os tempos de pandemia?
Com estes dois anos de Covid-19, passámos aqui um mau bocado. Na medida do possível, conseguimos adaptar-nos à situação, mas tivemos alguns meses fechados. As actividades culturais e recreativas estiveram paradas, mas mantivemos o espaço aberto para que, pelo menos, as pessoas se puderem deslocar aqui para conviver um pouco. Esperamos agora retomar a actividade normal. Os associados já estavam com saudades de bailaricos e, inserido no programa de aniversário já tivemos um baile em que as pessoas participaram e conviveram, apesar de ainda notarmos algumas ausências porque ainda há algum receio. Acima de tudo, queremos ter um espaço para trazer as pessoas para que se possam divertir.

Qual a importância que este movimento associativo tem para a terra?
É importante porque temos que dar alguma coisas às pessoas em termos de actividade. Um exemplo, para nós fundamental, é o facto de a comunidade escolar estar muito ligada a esta casa e isso é muito importante. Aproveitamos, igualmente, para levar o folclore à escola primária, no sentido de lhes dar a conhecer as nossas tradições, e daí acabam por vir algumas crianças para o nosso rancho. A própria professora está muito ligada também aqui ao nosso centro cultural. Vamos mantendo essa interligação com a comunidade escolar que para nós é essencial. No fundo é o fazer a ponte entre as várias gerações.

Quais as principais dificuldades que a associação enfrenta e que apoios seria necessário para ajudar?
As dificuldades são as inerentes a qualquer movimento associativo: hoje em dia, a responsabilidade é muita. Por vezes, há dificuldades em trazer sócios a exercer o cargo de dirigente associativo. O cargo é exigente, em termos de responsabilidade. Por outro lado, os apoios nunca são suficientes. Queremos sempre fazer mais e melhor. Mas notamos receptividade por parte da Junta e da Câmara para nos dar algum apoio.
A nível nacional, o movimento associativo tem colocado várias questões a nível de alterações ao Orçamento do Estado em que poderiam, e deveriam contribuir para um maior empenho e dinamização deste movimento, e essas reivindicações não têm sido aceites. Devia haver uma outra visão para estas colectividades porque, ao fim ao cabo, são elas que movimentam as populações e substituem-se ao Estado. Ao contrário do que dizem, não são dependentes de apoios. Temos as nossas actividades e somos contribuintes.

Quais os projectos para o futuro, o que gostariam de ver feito?
No imediato, seria a resolução deste espaço onde nos encontramos. A sede da colectividade está numa casa alugada e isso torna tudo mais difícil. O que gostaríamos, naturalmente, é que este espaço pudesse ser nossa propriedade e, a partir daí, provavelmente, podíamos fazer outras coisas que hoje não fazemos porque o espaço não é nosso, e fazer obras nestas condições é complicado.

Nesta altura, como está o Centro Cultural e Recreativo de Fontainhas e Graínho em termos de associados?
Temos por volta dos 250, já com um acerto, portanto este é um número real. Estas casas só funcionam se as pessoas tiverem acesso a elas, com estes dois anos tivemos muita gente que deixou de vir.

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