Foto de arquivo
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A prestação de contas em todos os setores da Igreja e a necessidade de repensar os modelos de formação nos seminários foram duas das propostas hoje apresentadas num encontro nacional da Igreja Católica, em Fátima.

O Encontro Sinodal nacional, promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), juntou 300 participantes, entre bispos, padres, religiosas e leigos, para refletir sobre o documento final do Papa Francisco e da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade e a sua aplicação nas comunidades.

Entre as propostas estão, também, a criação de hábitos de avaliação sistemáticos nas comunidades, o apoio e acompanhamento aos movimentos laicais da Igreja e a dinamização dos conselhos pastorais paroquiais, que devem ser representativos, inclusivos e participativos.

Formar para uma liderança partilhada, próxima e criativa a todos os níveis e vocações, e inovar na formação e nas atividades, com linguagem e ferramentas atuais, foram outras das propostas apresentas pelos grupos de trabalho.

Aos jornalistas, o presidente da CEP, José Ornelas, afirmou que o encontro foi “um bom momento” e “significa que este caminho, que parecia para alguns não ter futuro, é um futuro”.

Questionado se teme que fique na prateleira o documento final, intitulado “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”, o bispo da Diocese de Leiria-Fátima contrapôs que “está a fazer caminho”.

“Vai haver sempre uma sementeira a 100%? Não sei. O que interessa é que haja sementeira, o que interessa é que haja gente que vai entrando e que isto crie cultura e crie o modo de ser da Igreja”, declarou, acreditando que isto tem capacidade de mudar estilos na Igreja.

O presidente da CEP assinalou que “há muita gente a sonhar uma Igreja melhor desde há muito e que este é um caminho de reunir esses sonhos” e de se construir “algo a partir deles”.

À pergunta sobre o que fazer em paróquias onde os padres ativamente boicotam as perspetivas sinodais, o bispo admitiu que “na Igreja, no seu conjunto, há sempre reações, sempre houve”.

José Ornelas afirmou ainda que “o Papa dizia ‘mal seria se isto não causasse também alguma reação contrária, porque quer dizer que não estava a tocar nas feridas’”.

“Não construímos uma Igreja contra ninguém e procuramos é que todos percebam que este é caminho”, salientou o presidente da CEP.

Segundo o bispo de Leiria-Fátima, é preciso “continuar a caminhar juntos, a programar juntos, a sonhar juntos, também a corrigir juntos”, com transparência, corresponsabilidade e responsabilização, para “um caminho cada vez mais atuante”, na vida, nas dioceses e no país.

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