O presidente da Câmara de Abrantes considerou hoje o projeto da Endesa, que resulta da reconversão da antiga central a carvão do Pego, “muito importante” para a economia local, após a empresa afirmar que espera iniciar produção em 2027.

“É um projeto muito importante para o nosso concelho e para a região. Há muito que desejamos que esteja firmado e que possam carregar no botão e começar a produzir energia”, afirmou hoje à Lusa o presidente daquele município, Manuel Jorge Valamatos.

Em 24 de fevereiro, em Madrid, a Endesa indicou que o projeto de reconversão da antiga central do Pego está ainda “em fase de autorizações”, apontando para o arranque da construção em 2027 e admitindo que os atrasos se devem a questões de licenciamento e a ajustes decorrentes das Declarações de Impacto Ambiental.

O autarca salientou que o investimento, que indicou ser de cerca de 700 milhões de euros no concelho e território envolvente, está associado ao ponto de injeção na rede elétrica, que classificou como “estrutura importantíssima para o desenvolvimento económico” da região.

“O ponto de injeção desempenhou um papel muito relevante quando a central a carvão estava em funcionamento e vai agora modernizar-se para receber quem produz e quem consome energia”, referiu, acrescentando que está prevista uma nova infraestrutura, a cerca de 100 metros da atual, em avaliação ambiental e sob responsabilidade do Estado.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, os processos de licenciamento de parques solares e eólicos e da componente de hidrogénio “demoram tempo”, tendo o Governo concedido prazos adicionais para a concretização do projeto.

“Queremos crer que em 2027 o projeto estará concluído, implementado e com produção de energia, porque é isso que traz verdadeiro valor acrescentado à nossa economia e ajuda a ultrapassar o impacto económico e social do encerramento do carvão”, sublinhou.

O presidente da Câmara defendeu ainda a rápida concretização de um novo leilão para a potência remanescente do ponto de injeção, considerando que poderá representar investimento de montante idêntico ou superior, com impacto “muito relevante” na economia local e regional.

Sobre o anúncio da Tejo Energia de que iniciará em março o desmantelamento da antiga central termoelétrica a carvão do Pego, num processo previsto para três anos, o autarca afirmou que existia “um compromisso inicial” de desmontagem das infraestruturas associadas ao carvão.

“Libertando aquele espaço, ele fica disponível para novos investimentos e essa é uma esperança que está muito presente em nós”, declarou, manifestando o desejo de que os terrenos possam acolher “grandes projetos” capazes de reforçar a atividade económica.

A Tejo Energia indicou que a intervenção visa repor os terrenos às condições de base, garantindo segurança e conformidade ambiental, prevendo envolver até 80 trabalhadores no pico da operação.

Manuel Jorge Valamatos salientou também que a ligação ferroviária ao complexo industrial vai manter-se, defendendo que poderá ter “um papel importante” na futura atividade económica da zona industrial do Pego e na dinamização da Zona Livre Tecnológica criada para atrair novos investimentos.

A central a carvão do Pego encerrou em novembro de 2021, no âmbito do processo de descarbonização, tendo a Endesa vencido o concurso de transição justa para a reconversão do ponto de ligação à rede elétrica com um projeto de produção renovável híbrida.

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