Um popular tenta salvar o que pode num aviário destruido no Casalinho, Ourém, 2 de fevereiro de 2026. A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, dia 28 de janeiro, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O Médio Tejo mantém-se hoje em alerta devido à conjugação das cheias no rio e aos efeitos da tempestade Kristin, com zonas submersas, pessoas sem eletricidade e estado de prontidão para eventuais inundações, disse a Proteção Civil.

Em declarações à Lusa, o comandante sub-regional David Lobato afirmou que, a norte, nos municípios de Ourém e Ferreira do Zêzere decorrem trabalhos de recuperação, estando a ser colocadas lonas sobre telhados danificados, e trabalhos de desobstrução de vias secundárias.

Segundo o responsável, metade da população ainda não tem eletricidade.

A sul do Medio Tejo, decorrem trabalhos de “monitorização constante das zonas ribeirinhas” devido às cheias, disse.

“Os caudais mantêm-se elevados, sem grandes oscilações nas últimas 24 horas, e o dispositivo de proteção civil mantém-se em prontidão para eventuais inundações, monitorizando continuamente rios e afluentes”, precisou Lobato.

O responsável afirmou que a situação “continua dinâmica e exige atenção permanente”, advertindo que a chuva prevista nos próximos dias poderá agravar cheias e inundações em zonas ribeirinhas.

Portugal enfrenta hoje a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a necessitar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que provocaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.

No Médio Tejo, os efeitos da depressão Kristin continuam a ser sentidos, sobretudo em Ourém e Ferreira do Zêzere, com muitos consumidores ainda sem eletricidade e centenas de telhados destruídos um pouco por toda a região, com apoios a chegarem de muitas partes do país.

“O sub-comando começou hoje a receber materiais de construção civil, como telhas, cimento e lonas, oferecidos por empresas, que serão distribuídos pelos municípios e pelas pessoas mais afetadas”, indicou Lobato.

Ao mesmo tempo, a gestão das barragens portuguesas e a coordenação com as descargas das barragens espanholas continuam a ser determinantes para evitar agravamentos de cheia, garantindo que os caudais do Tejo se mantenham sob controlo e minimizando impactos.

“As barragens portuguesas têm algum poder de encaixe, mas monitorizamos continuamente descargas alternadas do Castelo de Bode e Fratel, articulando com a barragem de Alcântara, em Espanha, para garantir que os caudais do Tejo se mantenham sob controlo e minimizar impactos nas zonas ribeirinhas”, afirmou Lobato, acrescentando que o dispositivo mantém pelotões militares, bombeiros e serviços municipais em máxima prontidão.

Atualmente, o caudal do Tejo em Almourol mantém-se em 3.400 metros cúbicos por segundo, com descargas do Castelo de Bode (981 m³/s) e do Fratel (1.571 m³/s), níveis similares aos registados nas últimas 24 horas, indicou Lobato.

Tendo em conta as previsões meteorológicas, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou na terça-feira o estado de prontidão para o nível especial 4, o mais elevado, com 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível.

O comandante nacional, Mário Silvestre, alertou que a situação meteorológica para os próximos dias será “muito complexa” e apelou à população para atenção redobrada a chuva intensa, vento forte, agitação marítima e possibilidade de neve, destacando o risco elevado de inundações urbanas e saída de rios dos leitos normais, sobretudo nas bacias do Douro, Vouga, Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado.

No distrito de Santarém, cerca de seis dezenas de vias permanecem submersas ou condicionadas devido às cheias, incluindo estradas principais e secundárias, pontes e acessos ribeirinhos.

A Proteção Civil alerta para que a população não atravesse locais alagados, salvaguarde bens e animais e siga todas as recomendações de segurança.

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