Psiquiatria do Hospital de Santarém promove “oficinas de cozinha” para utentes

O serviço de psiquiatria do Hospital de Santarém apresentou esta quinta-feira, 18 de Julho, o projecto “In_Cooking”, que, a partir de Outubro, vai permitir a meia centena de utentes frequentarem oficinas de cozinha orientadas pelo chefe escalabitano Rodrigo Castelo.

O projecto segue-se a outros que o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Distrital de Santarém (HDS) tem vindo a desenvolver com o objectivo de autonomizar os seus utentes e de promover a inclusão e a redução do estigma associado à doença, disseram em declarações à Lusa Carla Ferreira e Ana Mendes, coordenadoras da iniciativa.

O projecto conta com financiamento da Missão Continente, no valor de 26.500 euros, para a recuperação e o equipamento da cozinha existente no serviço, donativo entregue hoje na sessão de apresentação do In_Cooking, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém.

A obra deverá iniciar-se durante o mês de Agosto, prevendo-se que as oficinas possam iniciar-se em Outubro, disse Carla Ferreira, adiantando que esta é apenas uma componente do “In_Cooking”.

O projecto é uma realidade devido a um conjunto vasto de parcerias, incluindo com o chefe de cozinha Rodrigo Castelo, que será “consultor ‘pro bono’”.

Segundo a enfermeira, o projecto surgiu da percepção de que a aprendizagem de culinária era uma necessidade dos utentes, alguns dos quais vivem com familiares envelhecidos e outros sozinhos, muitas vezes recorrendo às cozinhas sociais.

“Sentimos que havia necessidade de os autonomizarmos também ao nível da alimentação”, o que acaba por ter impacto nos níveis de auto-estima e de redução do estigma, salientou.

As “oficinas de cozinha” visam proporcionar “um ambiente de criatividade, partilha e crescimento pessoal, através da aquisição de competências técnicas de culinária com receitas saudáveis, sob a orientação do ‘chef’ Rodrigo Castelo”, disse Ana Mendes, psicóloga da equipa.

Com esta iniciativa, a equipa quer “contribuir para a promoção da autonomia, o aumento da auto-estima, a diminuição da ansiedade, a inclusão social, o combate ao estigma da doença mental e a aquisição de competências capazes de proporcionar oportunidades de inserção laboral”, acrescentou.

A exemplo do que tem acontecido nos outros projectos do departamento de psiquiatria do HDS, os grupos que vão integrar o “In_Cooking” são compostos por utentes do serviço e por membros da comunidade identificados como estando em situação de exclusão.

O projecto prevê a criação de seis grupos, cada um deles constituído por oito elementos (seis utentes e dois membros da comunidade), durando cada oficina seis semanas, seis horas por semana (em duas sessões).

A iniciativa está “interligada com parceiros da comunidade que disponibilizarão material e produtos agrícolas para a confecção das refeições, bem como na divulgação do projecto e no apoio no projecto de investigação para avaliação do impacto do “IN_Cooking”.

Este trabalho, a exemplo do que tem acontecido com outros projectos, será realizado pelas Escolas Superiores de Saúde e de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Santarém (IPS).

Sendo promovido por uma associação criada para estes fins, a r. INSERIR – Oficinas para Todos e para Cada Um, o projecto conta com as parcerias do HDS, da Câmara Municipal de Santarém, da Casa de Pessoal do Hospital de Santarém, das Escolas Superiores de Saúde, de Gestão e Agrária, do IPS, da Escola Profissional Vale do Tejo e de várias empresas.

A associação está igualmente a dar continuidade ao projecto de artes plásticas “INcluir – Oficinas para todos e para cada um”, que vai já na sua quarta edição, depois do impulso inicial dado pelo apoio da Fundação EDP em 2016.

As oficinas de artes plásticas, orientadas pelo artista plástico João Maria Ferreira na Incubadora d’Artes, espaço cedido pelo município, passaram este ano a contar com uma parceria com a Escola Superior de Educação/IPS, que disponibiliza um docente para a realização de oficinas nas suas instalações.

Carla Ferreira referiu ainda o projecto Trocas, uma loja social que há mais de três anos tem sido um dos locais privilegiados de reinserção de doentes, sobretudo após alta, na comunidade.

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