É muito pertinente a questão de Miguel Alvarenga no seu blogue “Farpas”, a propósito desta fotografia captada no passado domingo em Almeirim, na interessante corrida mista que aí decorreu.

Num país taurino a sério esta deveria ser uma questão a exigir uma pronta e convincente resposta, porém neste “país das toiradas” em que se converteu Portugal pouco interessa a resposta, ainda que a questão seja muito oportunamente colocada. Em boa verdade os críticos taurinos portugueses contam-se pelos dedos de uma mão, pois na maioria dos casos o que existe são “bloguistas” e animadores de sites de publicidade taurina que a par da profusa promoção (paga) dos espectáculos tauromáquicos plasmam galerias de fotografias do “jet set” que frequenta os tauródromos nacionais e amplificam o ruído de algumas intrigas que vão fazendo as delícias dos seus seguidores, sempre sedentos de conhecerem alguns detalhes e outros “fait divers”. Crítica, quase nenhuma!

Bem sabemos a força que têm as imagens, porém nada dispensa a análise e o comentário ao desempenho técnico e artístico dos toureiros ou a apreciação à apresentação e às condições de lide dos toiros. Para além de tudo isto a crónica tem a vantagem de fazer história, o que se revela de fundamental importância para podermos acompanhar a evolução do toureio e a trajectória das figuras que ao longo de cada época vão protagonizando esta arte nas arenas.

Se não fossem as crónicas publicadas nos jornais e nas revistas, ou em certos casos em livro sobre algumas temporadas, o que é que hoje saberíamos sobre o passado desta tão extraordinária arte e tradição? Nós somos a memória que temos…

No entanto, aquilo a que assistimos é a que a maioria dos jornais e revistas deixaram de acompanhar esta actividade, o que teve especial impacto na redução do número e na qualidade de quem ainda escreve sobre tauromaquia. Para além de que se contam pelos dedos de uma mão os críticos que exercem a actividade crítica de forma profissional!

Actualmente proliferam os fotógrafos que se dedicam ao comércio das suas melhores “chapas” e que, para terem acesso a um cartão de jornalista, criaram sites ou blogues onde publicam aquilo que fotografam. Mas, crónicas quase zero.

Há uns anos apertou o controlo ao número de pessoas que podem estar na trincheira durante os espectáculos, e, em termos regulamentares, definiu-se a qualidade de quem ali pode estar, pois é suposto que só esteja na trincheira quem tiver uma actividade relacionada com o espectáculo em curso.

Durante épocas a fio este era um espaço onde conviviam os toureiros, os seus representantes, os empresários, os fotógrafos e os críticos. O que se compreende!

Por diversas razões, nem todas atendíveis da mesma forma, intensificou-se a fiscalização por parte da IGAC, definiu-se um critério para a determinação do número de senhas de trincheira, de acordo, entre outros aspectos, com as características do próprio tauródromo e, a partir daí o número de pessoas na trincheira começou a reduzir-se, o que teve desde logo maior impacto no número de críticos.

O espaço da trincheira converteu-se numa autêntica passerelle onde pessoas que nada têm a ver com o espectáculo taurino ocupam os lugares que deveriam caber a quem, de facto, presta um serviço à tauromaquia e ao espectáculo taurino.

Os críticos ou não têm senhas para ingressar na praça ou são remetidos para um qualquer canto numa bancada de Sol e em filas das mais altas, tantas vezes com senhas sem lugar marcado, de onde têm de sair quando o espectador que adquiriu aquele bilhete reclama o direito, justo e pleno, de ocupar o respectivo lugar.

Até os fotógrafos dos jornais e das revistas – que não fazem negócio com as fotografias! – são colocados em qualquer lugar, mesmo sem condições para captar as imagens com que pretendem ilustrar as suas crónicas. Ninguém reclama nem toma medidas porque ainda pode perder o direito à miserável senha com que o empresário quer comprar a sua cumplicidade ou conivência.

É o ponto a que chegámos, por isso o Burladero da imprensa está vazio. Qualquer dia estará vazio para sempre!

LM

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