A Refood Santarém vai dispor, a partir de agosto, de um novo centro de operações com melhores condições de acessibilidade e armazenamento, o que permitirá reforçar a capacidade de resposta da associação, que atualmente apoia 186 agregados familiares
Segundo o responsável local da Refood, Rui César, a mudança para um espaço com cerca de 422 metros quadrados representa o culminar de vários anos de procura por instalações adequadas às necessidades, permitindo “melhorar a forma de entregar alimentos, com mais condições, mais qualidade e maior dignidade para os beneficiários”.
“O tipo de instalações de que precisávamos é muito específico. Não temos cozinha, mas necessitamos de uma copa para manuseamento seguro dos alimentos e de muito espaço para armazenagem, o que era praticamente impossível de encontrar no centro histórico ou no Planalto da cidade”, afirmou.
Segundo o responsável, após esgotadas várias opções nessas zonas, a associação decidiu transferir o centro de operações para a zona inferior do Planalto, uma escolha justificada sobretudo por razões de acessibilidade e disponibilidade de transportes públicos para os beneficiários.
O novo espaço permitirá criar áreas para manuseamento de alimentos, armazenamento de produtos, arrumos, zona de espera para beneficiários, gabinetes de atendimento, sala de reuniões, copa equipada e balneários.
Rui César sublinhou ainda o papel do município de Santarém em todo o processo, referindo que a câmara municipal foi crucial na identificação de um edifício adequado, uma vez que a associação, de base exclusivamente voluntária, não dispõe de fontes próprias de rendimento para suportar rendas elevadas ou obras de grande dimensão.
“O município esteve sempre disponível e colaborativo, ajudando na pesquisa de soluções que se adaptassem às nossas necessidades e à cidade”, disse.
Apesar de o espaço ainda se encontrar em fase de adaptação para cumprimento das normas de segurança alimentar, a Refood prevê iniciar a mudança em agosto, durante o período em que suspende temporariamente a atividade, retomando plenamente o funcionamento no novo local em setembro.
A mudança surge num contexto de aumento significativo da procura por apoio alimentar no concelho. De acordo com dados avançados por Rui César, a Refood Santarém apoiava 155 famílias em janeiro, número que subiu para 186 em abril, correspondendo a um aumento de 353 para 424 beneficiários em apenas quatro meses.
“Atualmente, apoiamos 186 agregados familiares, incluindo 44 pessoas em situação de sem-abrigo. Mas há também muitas famílias com ambos os progenitores empregados, rendimentos estáveis e filhos a estudar, cujos rendimentos não chegam para cobrir todas as despesas”, explicou.
Segundo o responsável, o perfil dos beneficiários é cada vez mais diversificado, incluindo famílias de classe média-baixa afetadas pelo aumento do custo de vida, situações de desemprego temporário, baixas médicas ou acidentes de trabalho.
Com o novo espaço, a Refood Santarém prevê aumentar a capacidade de recolha e distribuição de alimentos, podendo vir a apoiar mais 150 pessoas, além de reforçar o combate ao desperdício alimentar no concelho e, numa fase posterior, alargar a resposta às zonas rurais.
Atualmente, a associação conta com 114 voluntários e apoia também 23 instituições, esperando que as novas instalações contribuam para atrair mais voluntários, graças à maior visibilidade e facilidade de acesso ao novo centro de operações.
