A Câmara de Ferreira do Zêzere vai pedir ao Governo que decrete o estado de calamidade no concelho, na sequência dos prejuízos provocados pela passagem da depressão Kristin, o terceiro município a fazê-lo, depois de Leiria e Nazaré.

Em comunicado, a autarquia diz que a dimensão e gravidade dos danos ultrapassam a capacidade de resposta normal do município e considera indispensável a ativação de “mecanismos extraordinários de apoio”.

O concelho de Ferreira do Zêzere está desde a manhã de quarta-feira sem eletricidade e redes de comunicação devido à destruição de infraestruturas essenciais, incluindo antenas de telecomunicações e centenas de postes de eletricidade de baixa, média e alta tensão, e não tem ainda perspetivas de resolução.

A passagem da depressão provocou a queda de milhares de árvores em todo o concelho, principal causa da obstrução generalizada das vias principais, secundárias, caminhos municipais e acessos a habitações isoladas, comprometendo a mobilidade e exigindo “esforços imensuráveis” para acesso a populações vulneráveis e para a necessária prestação de apoio, refere a nota.

A Câmara lembra igualmente que as fortes rajadas de vento destelharam total ou parcialmente coberturas de habitações, comprometendo os bens das famílias.

Para sustentar a necessidade de declarar o estado de calamidade no concelho, a autarquia recorda igualmente que se trata de um território de interior, de extensão significativa, caracterizado por baixa densidade demográfica e consequente dispersão da população pelo território.

Estimam ainda prejuízos globais de “vários milhões de euros”, resultantes de danos em vias públicas, sinalização, infraestruturas municipais, indústrias, pequenas e médias empresas, habitações particulares e nas atividades florestais e agrícolas.

Na nota, a câmara de Ferreira do Zêzere apela igualmente à colaboração da população, assegurando que continuará a informar os munícipes de forma regular e transparente, mantendo como prioridade a segurança das pessoas, a proteção dos bens e a recuperação do concelho.

Informa ainda que está em curso uma “resposta operacional alargada”, envolvendo serviços municipais, agentes de proteção civil e meios externos, e sublinha que a comunidade local “tem respondido com grande solidariedade, sinalizando situações críticas e apoiando vizinhos”.

Segundo a autarquia, técnicos municipais e equipas sociais estão a acompanhar todas as situações identificadas, tendo sido encontradas soluções para todas as emergências sinalizadas até ao momento.

Ferreira do Zêzere é o terceiro município a pedir ao Governo que decrete a situação de calamidade. Em Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, o presidente da autarquia fez o mesmo pedido na quarta-feira, seguido do município da Nazaré.

Pelo menos cinco pessoas morreram em consequência da passagem, na quarta-feira, da depressão Kristin por Portugal continental, deixando um rastro de destruição em especial nos distritos de Leiria e de Coimbra.

O primeiro-ministro, Luis Montenegro, disse na quarta-feira que o Governo já estava no terreno a fazer com as autarquias uma avaliação dos mecanismos de auxílio que podem ser acionados para mitigar os efeitos causados pelo mau tempo.

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