Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém disse, na tomada de posse dos órgãos autárquicos, que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) terá “obrigatoriamente” de “garantir mais investimentos” para o concelho.

Falando, segunda-feira à noite, na tomada de posse do executivo municipal, na qual anunciou um acordo de governação com o Partido Socialista, Ricardo Gonçalves afirmou que o PRR “terá que ser aproveitado ao máximo”, apontando vários exemplos de investimentos que reivindica para Santarém.

Além do Plano Local de Habitação, com a candidatura a “mais de 21 milhões de euros” já aprovada, o autarca referiu a residência de estudantes alvo, de um protocolo com o Instituto Politécnico de Santarém, ainda a aguardar aprovação, e que considerou “determinante para que se captem mais alunos” para o concelho.

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Ricardo Gonçalves colocou entre os investimentos que quer ver apoiados a requalificação da Zona Industrial e a criação de novas zonas de desenvolvimento económico e de inovação, bem como a criação de “um grande cluster da saúde em Santarém”, referindo a presença no concelho do Hospital Distrital, da Escola Superior de Saúde e dos hospitais privados da CUF, em ampliação, e da Luz, com empreitada para construção lançada.

“A regeneração da zona ribeirinha e a despoluição do Tejo, assim como a construção de uma barragem a montante de Santarém, para que se consigam caudais mínimos e o rio se mantenha vivo”, foi outro objectivo referido, a que juntou a revitalização do rio Alviela e a sustentabilidade ambiental.

O presidente da Câmara de Santarém, eleito no passado dia 26 de Setembro para o terceiro e último mandato, afirmou que, além das encostas da cidade que estão a ser consolidadas, há outras a necessitar de igual intervenção.

“Este Governo tem a obrigação de fazer o que outros fizeram, e terá que arranjar verbas para que a obra se concretize”, declarou.

No pacote reivindicado ao PRR, o autarca escalabitano insistiu na variante à Linha ferroviária do Norte, considerando-a “fundamental” para a região.

“[Este investimento] não nos pode ser sonegado por qualquer Governo, seja ele de que partido for”, afirmou.

Colocando como ambição tornar o concelho “num dos maiores e mais desenvolvidos de Portugal”, Ricardo Gonçalves apontou ainda para o mandato que agora inicia a reafirmação de Santarém como destino de turismo, de cultura e de lazer.

“Queremos uma cidade mais atractiva, criativa e fervilhante, que potencia as tradições equestres, o seu património e a eno-gastronomia”, disse.

O autarca referiu as obras de reabilitação em curso nas igrejas de São João de Alporão e de Santa Iria, no Mercado Municipal, em praças e artérias do centro histórico e disse que o ‘masterplan’ do Campo Emílio Infante da Câmara está a ser desenvolvido pela Faculdade de Arquitetura, sendo necessário “conseguir fundos do novo quadro comunitário para iniciar a sua requalificação durante este mandato”.

Na antiga Escola Prática de Cavalaria, referiu a ampliação da “cidade judiciária” e do campo de rugby, a construção do Museu de Abril e dos Valores Universais e a ocupação dos restantes espaços com “valências estratégicas para o concelho”.

Para a área da educação, preconizou a elaboração de uma nova Carta Educativa, “que terá que considerar a construção, requalificação e ampliação de mais escolas nas diversas freguesias”, pois, disse, a população do concelho “inverteu o seu ciclo de decréscimo e, desde 2019, cresce de forma clara e sustentada”.

Da lista de compromissos para o mandato consta, ainda, o início da construção de um Complexo Desportivo.

Ricardo Gonçalves deixou a promessa de que “nunca” irá “aumentar impostos municipais para pagar despesas” que forem delegadas pelo Estado Central, lembrando que os municípios começam a receber novas competências no início de 2022 e que receia que não venham acompanhadas das verbas necessárias para a sua execução.

Os detalhes do acordo alcançado com o PS a poucas horas da cerimónia da tomada de posse deverão ser anunciados numa conferência de imprensa conjunta a realizar no final da semana.

Nas eleições de 26 de Setembro, o PSD passou dos 43,2% dos votos e cinco eleitos obtidos em 2017 para os 37,4%, perdendo um vereador, mantendo o PS os quatro vereadores (passou de 34,1% para 33,3%) e ficando o Chega com um mandato (7,9%).

Na Assembleia Municipal (AM), o PS conquistou 34,6% dos votos (11 eleitos), o PSD ficou com 32,9% (10 deputados), o Chega 8,6% (dois), a CDU (PCP/PEV) 7,8% (dois), o Bloco de Esquerda 4,7% (um) e o CDS-PP 3,1% (um), a que se juntam os presidentes das 18 juntas e uniões de freguesia.

A base de entendimento “alargada” entre PSD e PS permitiu que a Mesa da AM, que integra dois elementos do PS (que preside) e um do PSD, tenha sido eleita na noite de segunda-feira com a aprovação de 40 dos 45 deputados municipais.

Do executivo municipal, presidido por Ricardo Gonçalves, fazem parte os vereadores social-democratas João Leite, Inês Barroso e Diogo Gomes, os socialistas Manuel Afonso, Nuno Russo, Nuno Domingos e Sofia Martinho (que subiu devido à renúncia da número três da lista, Salomé Rafael) e Pedro Frazão do Chega.

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