“África e a União Europeia: Uma relação a consolidar” foi o tema da conferência organizada pelo Rotary Clube de Santarém (RCS), no passado dia 27 de Fevereiro, na sua sede, junto às antigas piscinas municipais do Sacapeito, tendo como orador convidado o embaixador Vítor Madeira dos Santos.

Profundo conhecedor do continente africano, onde prestou serviço durante mais de 30 anos em representação da União Europeia, nesta comunicação Vítor Madeira dos Santos partiu da Conferência de Berlim até chegar ao período da descolonização e independência dos países africanos, referindo que esse equilíbrio “se está rapidamente a fragmentar”.

O conferencista mencionou ainda que existem hoje em África cerca de 40 milhões de deslocados, número que tenderá a aumentar devido a inúmeros conflitos latentes que se desenham e à potencial desintegração de alguns Estados (Camarões, Sudão, Nigéria, Etiópia e outros).

Os tradicionais interlocutores no continente, como a ONU ou a União Africana, são cada vez menos eficazes, devido à substituição de governos civis por juntas militares.

Na visão do responsável, os actores externos (Rússia, China, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Irão e outros países) têm tido uma ação perturbadora na geoestratégia africana, nomeadamente na difusão do salafismo e na ‘warlordização’ de inúmeros países (domínio de senhores da guerra tribais e/ou religiosos).

O aparecimento de novos equilíbrios torna-se bastante difícil, até porque faltam líderes de referência neste continente. As expetativas de reacção da comunidade internacional são elevadas, mas indefinidas, prevendo-se que no futuro 50 a 100 milhões de refugiados africanos tentem entrar no espaço europeu.

Vítor Madeira dos Santos foi funcionário da União Europeia durante 34 anos, encontrando-se hoje aposentado. Prestou serviço na Comissão Europeia e no Serviço Europeu de Ação Externa, em Bruxelas e em diferentes postos diplomáticos na Asia (Afeganistão) e em África (União Africana, Senegal e Guiné-Bissau). Encontra-se ainda ativo como observador eleitoral da União Europeia, tendo recentemente observado as eleições no Kenya (2022) e na Libéria (2023).

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