O Município de Santarém marcou presença nas Comemorações Nacionais do Dia Nacional dos Centros Históricos, realizadas no passado dia 27 de março, na cidade de Castelo Branco, distinguida como ‘Capital dos Centros Históricos Portugueses 2026’.
A comitiva scalabitana integrou o arquiteto João Neves de Oliveira, chefe da Unidade de Gestão do Centro Histórico, o historiador José Raimundo Noras e a técnica Aida Baptista.
Durante a sessão da manhã, realizou-se a assembleia geral eletiva da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico (APMCH), na qual o Município de Santarém manteve a presidência do Conselho Fiscal. A região ribatejana passa a estar também representada na Direção pelos municípios de Tomar e Torres Novas, num órgão liderado por Lagos. Já Ourém assume a vice-presidência da Mesa da Assembleia Geral, liderada por Lamego.
Na mesma reunião, foram aprovados o relatório e contas do exercício anterior, com saldo positivo, bem como a realização do XX Encontro Nacional dos Centros Históricos, agendado para Vila do Conde, entre 26 e 28 de novembro de 2026. Foi ainda lançado o desafio para candidaturas à organização da edição de 2028 e da sede do Dia Nacional dos Centros Históricos de 2027.
Entre outras deliberações, destaca-se a aprovação de um encontro temático sobre riscos urbanos, a realizar a 22 de maio, em Lagos, e a celebração de um protocolo de colaboração com a empresa SPIRA. Foi igualmente deliberada a atribuição da Medalha de Ouro da APMCH ao arquiteto Manuel Maia Gomes, bem como do Prémio `Memória e Identidade´ 2027 à Professora Doutora Lurdes Asseiro e ao arquiteto e editor Filipe Jorge.
Sessão solene destaca valorização do património
Durante a tarde, decorreu a sessão solene das comemorações, marcada por intervenções institucionais e pela entrega do Prémio `Memória e Identidade´ 2026, com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos.
O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, destacou os investimentos em curso no centro histórico, nomeadamente a valorização do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, a internacionalização do bordado de Castelo Branco e a criação de um centro interpretativo dedicado à história templária da cidade.
Já o presidente da Câmara de Lagos e da APMCH, Hugo Miguel Pereira, apontou “os principais desafios dos centros históricos”, incluindo a crise da habitação, a pressão urbanística e o contexto geopolítico.
Em representação do Conselho de Curadores, José Raimundo Noras destacou, numa mensagem de homenagem, o património material e imaterial de Castelo Branco, com enfoque na tradição dos bordados.
Homenagens e reflexão sobre o futuro
A cerimónia incluiu ainda homenagens a várias personalidades, entre as quais o padre Joaquim Ganhão, pelo contributo para a criação do Museu Diocesano de Santarém, distinguido com o prémio Europa Nostra.
O arquiteto Leonel Fadigas defendeu “a necessidade de revitalizar os centros históricos através da habitação e da presença de população residente”, alertando para “os limites das políticas centradas no alojamento local”.
O secretário de Estado da Cultura, aproveitou a ocasião para evocar o pensamento de Alexandre Herculano, sublinhando “que os centros históricos devem ser entendidos como espaços vivos e em constante construção”.
As comemorações terminaram com a apresentação do projeto do novo centro interpretativo e uma visita ao centro histórico de Castelo Branco, incluindo o Centro do Bordado de Castelo Branco.

