Francisco Pereira nasceu em Lisboa, a 21 de Junho de 1957, e está radicado em Santarém há 10 anos. Artista plástico autodidacta, desenvolveu a sua actividade artística, a par de acções de pintura e expressão artística com crianças, em contextos educativos diferenciados. Participou em todas as edições do projecto In.Santarém e é membro organizador do “Pictorin – Encontro Internacional de Artistas Plásticos”, entre várias participações em organizações e iniciativas. O artista tem patente até dia 1 de Junho, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, uma exposição alusiva ao Dia Mundial das Artes.

Quando surge a pintura na sua vida?
Sem dúvida que o meu pai despertou de alguma forma o meu amor pela pintura desde criança. Passava horas a vê-lo pintar e desenhar, era acima de tudo um exímio desenhador. Este gosto desenvolveu-se e maturou-se ao longo da minha infância, adolescência e juventude.

Que tipo de quadros podemos ver na exposição intitulada “Dia Mundial das Artes – Exposição de Francisco Pereira”, na Sala de Leitura Bernardo Santareno?
O que se encontra exposto na Sala de Leitura Bernardo Santareno é uma instalação colagem/pintura constituída por nove módulos, que funcionam enquanto peça única e alusiva ao Dia Mundial da Arte. Junto da instalação encontra-se também um catálogo de trabalhos que quem visita pode consultar e porventura adquirir!

O que mais a inspira nas suas obras e quais os temas principais que aborda?
A inspiração não é só por si fonte de criação. É acima de tudo a dedicação e o trabalho de todos os dias (e noites), bem como a persistência na aprendizagem, que determinam em parte se uma “obra” é “mais ou menos” conseguida. Quanto a temas propriamente ditos de abordagem à pintura, direi que não (aliás como descrevo mais à frente na minha forma de criar). Diria talvez que apenas é uma busca e necessidade constante de aproximação e comunhão com a mãe natureza, com propostas e técnicas tão abrangentes, como abrangentes são todos os desafios que esta nos coloca.

Desenvolveu a sua actividade artística, a par de acções de pintura e expressão artística com crianças, em contextos educativos diferenciados. Pintar com as crianças é especial?
É tão especial como gratificante. O Mário Rodrigues dizia que “gostava de pintar como as crianças”, esta simples frase contém em si todas as respostas. A criança regra geral possui um potencial enorme de espontânea criatividade que a ser estimulada a todos enriquece. Foi e é para mim ao longo dos anos uma necessidade, um dar e receber.

Como funciona o seu processo criativo?
Nos meus processos de criação não existem estudos, esboços ou apontamentos. Bem pelo contrário, quando “parto” para um trabalho procuro “despir” a mente de ideias ou imagens pré-concebidas. Pintar é um exercício de alma que flui na medida exacta da disponibilidade para a descoberta. Neste “ritual” estabeleço “diálogos” próprios com os materiais e aí tudo vai acontecendo, sentimentos e emoções tão diversos que se materializam no tratamento pictórico e técnico e em ultima análise no resultado “final”, que apenas finaliza na observação do(a) espectador(a). Na minha pintura não há “regras” de qualquer tipo, na pintura como na vida, interesso-me em particular por tudo o que não tenha sentido aparente, penso que será aí que vou encontrar alguma criatividade.

Tem alguma ideia que queira transmitir ao público, ou são telas mais para si?
A pintura só “é minha” num espaço de tempo que ocorre entre o iniciar e o “terminar”. Depois? Depois é pertença de quem a observa, e aqui sim, a finaliza!

O que as pessoas lhe transmitem quando veem os seus quadros? Gostam? Dão-lhe incentivo?
Por norma valorizo de forma igual as opiniões de quem gosta e quem não gosta. Procuro sempre recolher ensinamento de ambas. Claro que gosto de um elogio, é agradável e incentivador.

Tem algum projecto para o futuro ou processo criativo?
Ideias, projectos, abordagens técnicas existem. Condições para os materializar? É uma incógnita! A arte e a cultura continuam a ser um parente pobre na arquitectura da nossa sociedade e Santarém não é excepção.

Considera que projectos como o In.Santarém e o “Pictorin – Encontro Internacional de Artistas Plásticos” são importantes e se devem manter na cidade de Santarém?
Nem me ocorre outra resposta do que o sim! O projecto In.Santarém nasceu e cresceu congregando vontades dos vários agentes da cidade (cultural, artístico, político, etc), a que responderam positivamente agentes económicos. Semeou em conjunto com as populações locais, um espaço de projecção passível de a médio e longo prazo se tornar uma referência. Tem todas as condições para se consolidar. Morrer na praia seria um retrocesso “catastrófico” para a cidade e as suas gentes, para as artes e a cultura, bem como aos propósitos que sustentaram o seu surgimento. Quanto ao Pictorin – Encontro Internacional de Artistas Plásticos que acontecerá este ano pela quarta vez embora mais direccionado para a promoção, intercâmbio e troca de experiências com artistas nacionais e internacionais nas áreas da pintura e escultura, apesar das dificuldades inerentes (económicas principalmente) não impediram o seu progressivo cumprir de objectivos, digamos que com sucesso. É óbvio que ambos os projectos se devem manter e reforçar! Haja vontades de fazer acontecer! Ganhamos todos!

Qual é a sua opinião em relação às artes em Santarém. É uma cidade cultural ou nem por isso?
Tem quase todas as condições para o ser. Tem um património riquíssimo, uma gastronomia fantástica e grandes artistas nas várias áreas (teatro, música, dança, pintura, literatura, etc, etc).

Que conselhos costuma dar a quem quer começar na pintura?
Dou sugestões, não conselhos. “Persegue os teus sonhos; serão tangíveis na proporção do quanto estejas disposto a dar-lhe (à pintura). Não “pintes para viver”, vive antes para pintar!”

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