Um surto de covid-19 num “lar ilegal” em Salvaterra de Magos infectou “cerca de quatro dezenas de pessoas”, entre utentes e funcionários, tendo os idosos sido transferidos para outros locais.

“De um total de cerca de quarenta pessoas, entre utentes e funcionários, apenas um utente deu resultado negativo nos testes recebidos no domingo, pelo que, depois de uma vistoria ao lar ilegal, ontem [terça-feira] a grande maioria dos utentes foi transferida para Fátima”, no concelho de Ourém, para a estrutura de apoio de retaguarda definida para o distrito de Santarém, o Centro Espiritual Francisco e Jacinta Marto, disse à Lusa Hélder Esménio, presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.

Segundo o presidente, da “vistoria técnica” efectuada no domingo “para verificar as condições” daquela estrutura residencial, situada no centro da vila, “ficou logo a ideia de que seria necessário retirar os idosos daquele espaço” e definiu-se a “necessidade de uma avaliação clínica” dos utentes infectados.

“O surto infectou quatro funcionários, que entraram em isolamento profiláctico, a proprietária do lar, e cerca de 34 utentes, dos quais três ficaram internados no Hospital de Santarém, dois foram logo para Fátima, e o utente que teve teste negativo foi transferido para outra estrutura”, disse o autarca, sem precisar a localidade.

Na terça-feira ficou concluído o processo de retirada de utentes, com a “grande maioria” dos idosos a serem transferidos para Fátima numa acção que contou com supervisão das autoridades de saúde locais e Segurança Social, e o apoio de várias corporações de bombeiros, tendo a autarquia “assegurado a alimentação” desde o início da detecção do surto.

Devido à “proximidade de Salvaterra de Magos à área da Grande Lisboa, três ou quatro utentes foram transferidos para a Cidade do Futebol, em Lisboa, e outro foi encaminhado para a base do Alfeite, em Almada, para estarem mais perto dos seus familiares”, disse ainda Hélder Esménio.

Sublinhando que “é à Segurança Social que compete a decisão final” de um eventual regresso àquele espaço, o autarca disse, no entanto, que “em princípio [os utentes] não regressarão”, por não existirem “condições para dar resposta” aos idosos.

“As famílias deverão ter de procurar outras soluções, mas a Segurança Social é quem faz a gestão e a quem compete ter a decisão”, concluiu.

A estrutura de apoio de retaguarda em Fátima encontra-se “sob a gestão técnica da Segurança Social, com o apoio dos serviços clínicos e de enfermagem” do Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo e a intervenção da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, “ao nível logístico e de funcionamento do equipamento”, segundo o Instituto da Segurança Social.

À Lusa, o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, Miguel Borges, disse que a estrutura de apoio de retaguarda em Fátima, no concelho de Ourém, “tem recursos humanos e capacidade instalada de 65 camas, das quais 54 estão ocupadas”, tendo aquele espaço “condições físicas para ir até às 130 camas”.

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