O desmantelamento da antiga central a carvão do Pego, em Abrantes, iniciou-se esta semana com a chegada das máquinas e montagem do estaleiro, processo que envolve um investimento de 20 milhões de euros, disse fonte da Tejo Energia.

O arranque dos trabalhos contou esta semana com a chegada das máquinas e a montagem do estaleiro, iniciando o desmantelamento faseado dos dois grupos produtores da central, incluindo o revestimento dos edifícios, a par de máquinas, fornos, caldeiras, tapetes rolantes de transporte do carvão, turbinas e todos os tipos de metais existentes, como aço e cobre, que serão reciclados.

Paralelamente, segundo fonte oficial da empresa, será efetuada a limpeza e descontaminação dos aterros de carvão, mantendo intacta a zona de captação de água utilizada em conjunto com a central a gás, que permanece em funcionamento na zona industrial do Pego, em Abrantes.

A fase final do desmantelamento prevê a demolição controlada das duas torres de refrigeração, com 116 metros de altura, e da chaminé, com 225 metros, através de implosão.

O processo de desmantelamento terá impacto temporário na economia local, com cerca de 80 trabalhadores envolvidos durante o pico das obras, beneficiando setores como alojamento, restauração, comércio e serviços na região de Abrantes, segundo a Tejo Energia.

A empresa destaca que os trabalhos seguirão padrões rigorosos de segurança, engenharia e proteção ambiental, incluindo a gestão de materiais com prioridade para reutilização e reciclagem, e que haverá comunicação regular com autoridades locais e população durante todas as fases do projeto.

O desmantelamento surge na sequência da “impossibilidade de concretizar o projeto de reconversão energética” apresentado ao anterior governo português, que previa substituir o uso de carvão por biomassa florestal residual local, complementar com energia solar fotovoltaica e eólica e atuar como compensador síncrono para estabilidade da rede elétrica.

Esse plano não avançou uma vez que a Endesa venceu o concurso público com outro projeto para o complexo.

Com o encerramento da central a carvão, em novembro de 2021, a espanhola Endesa obteve em 2022, em concurso público, o direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) para instalar 365 MWp (Megawatt-pico) de energia solar e 264 MW eólica, com armazenamento de 168,6 MW e um eletrolisador de 500 kW para produção de hidrogénio verde.

O investimento previsto é de 600 milhões de euros, com 75 postos de trabalho permanentes e reconversão profissional de 2.000 pessoas, com prioridade para antigos trabalhadores da central e integração da população local na estratégia de transição justa da região.

A central de ciclo combinado a gás natural do Pego, gerida pela Elecgas, mantém-se em plena atividade e continua a produzir eletricidade independentemente da antiga central a carvão, que cessou operações em 2021.

A Tejo Energia sublinha que o projeto é “altamente técnico e especializado” e será conduzido por equipas certificadas, garantindo segurança e proteção ambiental durante todo o processo.

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