O município de Tomar estimou hoje que os prejuízos provocados pela tempestade Kristin já ultrapassem os 5,4 milhões de euros (ME), sobretudo em equipamentos municipais e património cultural, excluindo ainda os custos associados à resposta imediata à emergência.
Em reunião do executivo municipal, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, precisou que estão contabilizados 4,4 ME [4.426.500 euros] em danos em equipamentos municipais, aos quais se somam cerca de 990 mil euros em património cultural, nomeadamente igrejas e capelas afetadas.
“Estamos a falar de prejuízos quase astronómicos e todos os dias surgem novas situações que alteram os valores inicialmente expectáveis”, afirmou o autarca do município, acrescentando que o montante global não inclui ainda despesas com combustível, requisição e contratação de máquinas e serviços externos mobilizados na resposta à emergência.
Tiago Carrão destacou os danos significativos no arvoredo, particularmente em meio urbano, com árvores de décadas e, em alguns casos, de séculos, derrubadas pela tempestade, com grande incidência na Mata dos Sete Montes, junto ao Convento de Cristo.
“O estrago que foi feito ao nível do arvoredo urbano pode ser também uma oportunidade para repensar e redesenhar o território. Retomar esta escala vai demorar décadas, mas temos de começar agora para que as próximas gerações possam usufruir”, declarou.
Ao nível das infraestruturas, o fornecimento de energia elétrica está praticamente restabelecido, persistindo apenas situações pontuais acompanhadas pela E-Redes, indicou.
Já no que respeita às comunicações, o cenário continua mais complexo.
“Se desde a primeira hora a prioridade foi a energia, agora é a reposição das comunicações. As comunicações móveis, mas sobretudo a fibra e os cabos, continuam com uma taxa de cobertura abaixo do desejável. O desafio é grande e os meios disponíveis não são os mesmos”, referiu o presidente.
Tiago Carrão admitiu ainda que o eventual enterramento de infraestruturas elétricas e de comunicações deverá ser devidamente planeado, reconhecendo vantagens ao nível da resiliência, mas também custos elevados e constrangimentos técnicos.
Outro dos riscos identificados é o de incêndio, devido à grande quantidade de árvores derrubadas em áreas florestais.
“Aquilo que era arvoredo é agora combustível pelo chão fora”, alertou o autarca, lembrando que a ausência de grandes incêndios nos últimos anos contribuiu para uma floresta mais densa e descontrolada.
No âmbito dos apoios à calamidade, Tomar representa atualmente cerca de 20% das candidaturas submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), entre os 20 municípios abrangidos.
O valor global das candidaturas no concelho ultrapassava, na passada sexta-feira, 3,1 milhões de euros, informou Tiago Carrão.
“Significa que estamos na linha da frente em termos de pedidos submetidos. Há já candidaturas aprovadas, mas o processo exige rigor e validação por parte do município”, explicou.
O autarca referiu ainda prejuízos significativos em associações e instituições particulares de solidariedade social (IPSS), apontando como exemplos a Associação Cultural, Recreativa e Social da Venda Nova, com danos superiores a 100 mil euros, e o Centro de Dia da Portela da Vila, com prejuízos acima dos 300 mil euros.
As juntas de freguesia, indicou, registam também danos relevantes em sedes e edifícios.
Paralelamente, o município está a articular com juntas de freguesia e madeireiros a criação de uma bolsa para remoção de madeira e lenha resultante das quedas de árvores, permitindo simultaneamente a limpeza dos terrenos e a geração de receita para as freguesias.
