Utentes da saúde da região do Médio Tejo apresentaram no dia 19 de Março, um conjunto de propostas para valorizar os serviços públicos de proximidade, medidas que entendem dever “marcar a agenda política” em ano de eleições.

As reivindicações apresentadas, no salão da Junta de Freguesia de Rossio ao Sul do Tejo, em Abrantes, assentam em “investimentos que permitam dar continuidade à valorização dos serviços de saúde de proximidade prestados” à população da região do Médio Tejo, e que passam pela “abertura de todos os postos de saúde com serviços médicos e de enfermagem e aquisição de unidades de saúde móveis”, que permitam prestar serviço nos 13 municípios da região.

A reunião foi promovida pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Concelho de Abrantes, que faz parte do Médio Tejo, e pela Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo.

As duas entidades defendem a “necessidade premente” de dois outros investimentos e que passam pela conclusão, até ao final do ano, das obras de requalificação dos serviços de Urgência da unidade hospitalar de Abrantes e a aquisição de um aparelho de ressonância magnética para o Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Luís Alves, um dos porta-vozes daquelas estruturas, disse à Lusa que “a grande questão centra-se na dispersão de um território com população muito envelhecida e de fracas posses”, defendendo que os cuidados médicos “devem existir nas aldeias e ir ao encontro das populações e não ao contrário, obrigando as pessoas a terem de sair das suas aldeias para irem à cidade ou às Unidades de Saúde Familiar (USF)”.

O município de Abrantes foi dado como exemplo, tendo sido referida a existência de “três USF separadas por dois quilómetros em linha recta”, duas na sede do concelho e outra nas imediações.

“Os pólos de saúde devem estar todos abertos, com instalações condignas e serviços médicos e de enfermagem, investindo-se nos edifícios e nos profissionais de saúde, e as unidades móveis de saúde deveriam também percorrer estes lugares e aldeias para atendimentos aos cidadãos com determinadas patologias, com evidentes ganhos de qualidade e comodidade para as pessoas”, defendeu Luís Alves.

Já Manuel Soares, também porta-voz daqueles “movimentos apolíticos, de opinião e reivindicativos”, disse que as propostas defendidas pelas comissões de utentes decorrem do facto de este “ser um ano eleitoral e pretender, assim, marcar a agenda política e contribuir para um debate sério e esclarecido, com factos e propostas concretas”, com os representantes dos partidos que se vão apresentar a votos.

“O tema da saúde é uma questão incontornável no debate político e temos vindo a reunir com diversas entidades com responsabilidades na área da saúde, da política, e da governação local e regional para dar conta do balanço que fazemos do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos na região e apresentarmos as nossas reivindicações em ano eleitoral”, notou.

Neste “balanço”, Manuel Soares registou as “melhorias significativas nos serviços nos últimos três a quatro anos”, e manifestou a expectativa que “o programado venha a ser construído e concretizado” pelas autoridades de saúde.

As reivindicações hoje apresentadas “vão ser dadas a conhecer a todas as entidades com capacidade de decisão”, concluiu.

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