Representantes de utentes de saúde dos concelhos de Vila Franca de Xira, Alenquer, Azambuja e Benavente entregaram ontem na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, postais de Natal para sensibilizar o Governo para a falta de médicos.

No total, foram 7.579 postais de Natal que os representantes das quatro comissões de utentes entregaram, pelas 15:00, na residência oficial de António Costa, numa iniciativa simbólica.

No espaço de dois meses, esta é a segunda acção levada a cabo pelos representes dos utentes de saúde de Azambuja (distrito de Lisboa), Benavente (distrito de Santarém), do Carregado (concelho de Alenquer) e da Castanheira do Ribatejo (concelho de Vila Franca de Xira).

No final da acção, em declarações, o coordenador da Comissão de Utentes do concelho de Benavente, Domingos Pereira, referiu que os representantes das quatro comissões foram recebidos por um assessor do primeiro-ministro, a quem entregaram os postais e transmitiram algumas queixas.

“Transmitimos que não são as medidas que o senhor ministro da Saúde nos comunicou, que é abrir vagas para o ano que vem, que vão resolver este problema. Neste momento, tanto para o centro de saúde de Azambuja, como para o do Carregado e Benavente ainda estão em vigor vagas do último concurso, que ficaram desertas”, criticou.

Domingos Pereira sublinhou que a situação nos quatro concelhos do Estuário do Tejo em termos de saúde se tem “vindo a agravar” e defendeu a necessidade de as comissões serem recebidas pessoalmente por António Costa.

Relativamente à situação no município de Benavente, no distrito de Santarém, o responsável apontou como principais problemas o facto de existirem cerca de nove mil pessoas sem médico de família atribuído e congestionamentos no Serviço de Atendimento Permanente (SAP), uma vez que estão a ser transferidos para aquela unidade utentes dos concelhos vizinhos de Alenquer, Azambuja e Vila Franca de Xira.

No que diz respeito à situação no concelho de Alenquer, o porta-voz da Comissão de Moradores do Carregado, João Silva, estimou que só na União de Freguesias de Carregado e Cadafais existam 18 mil pessoas sem médico de família e em todo o concelho 25 mil.

“A situação é lastimável. É muito má, nomeadamente a do Carregado. Os doentes estão a ser encaminhados para o centro de saúde de Benavente e da Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira), o que não é solução”, apontou.

Já no concelho de Azambuja, estima-se que 90% dos cerca de 22 mil utentes do concelho não tenham um médico de família atribuído, segundo adiantou Armando Martins, do Movimento Cívico pela Saúde em Azambuja.

“Azambuja neste momento tem pessoas idosas, com 70, 80 anos, com doenças crónicas que não vão ao médico porque não têm capacidade de ir ao privado e algumas até nem têm os medicamentos actualizados”, lamentou.

No concelho de Vila Franca de Xira, o número estimado de pessoas sem médico de família é de 50 mil, segundo referiu à Lusa Pedro Gago, da Comissão de Utentes da Castanheira do Ribatejo.

“Eu acho que o Governo devia por mãos nisso [falta de médicos] e melhorar a situação para que os utentes não cheguem a esta miséria”, sublinhou.

No total, nos concelhos de Azambuja, Alenquer, Benavente e Vila Franca de Xira, existem mais de 90 mil utentes sem médico de família, estimando-se a necessidade de serem contratados, pelo menos, 60 clínicos para o Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo.

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