A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) reivindicou ontem “mais e melhores cuidados de saúde primários”, a “valorização da maternidade” e o “anúncio da calendarização das obras na urgência” do hospital de Abrantes.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da CUSMT, Manuel José Soares, além de reafirmar a necessidade da valorização da maternidade e do serviço de Obstetrícia no hospital de Abrantes, ligado ao Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), defendeu ser “hora de o Conselho de Administração do CHMT e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo apresentarem publicamente um calendário minimamente exequível para as obras na Urgência Médico-Cirúrgica” de Abrantes.

Segundo lembrou Manuel Soares, depois de muitos anúncios e apresentações, em 2019 o CHMT tinha investimentos programados de cerca de 6,5 milhões de euros”, com a obra de ampliação da Urgência Médico-Cirúrgica orçada em cerca de 1,5 milhões de euros.

Agora, passados estes anos, “o que se exige é que, publicamente, seja tornado público o calendário da concretização das obras na urgência do hospital para um melhor serviço às populações, melhores condições para os profissionais e para a valorização do Serviço Nacional de Saúde”, disse.

Na conferência de imprensa, a comissão de utentes abordou ainda a questão da maternidade do hospital de Abrantes, que tem hoje “intermitências no seu funcionamento”.

“Há quem volte a encarar a possibilidade do encerramento de algumas [maternidades], [nós] voltamos a declarar a necessidade da valorização da maternidade, assegurando o seu funcionamento 24 horas dia/sete dias por semana”, defendeu Manuel Soares.

Relativamente aos cuidados primários de saúde, Manuel Soares salientou que o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo regista um défice de 30 médicos de família para cerca de 50 mil utentes, num universo de 225 mil cidadãos inscritos neste ACES.

“Não confundimos cuidados de saúde primários com cuidados médicos e, por isso, dizemos que faltam recursos humanos [não só médicos] e meios para reforçar as ações de saúde preventivas e de cuidados de proximidade”, afirmou, defendendo a criação de “mais Unidades de Cuidados à Comunidade” (UCC), além de melhorias na organização.

Ainda de acordo com Manuel Soares, “para o último concurso nacional, foi pedida a abertura de 22 vagas [para médicos de família], foram atribuídas 12 e só foram preenchidas cinco” vagas.

“Urge tomar medidas excecionais para garantir cuidados médicos de proximidade e pensar, envolver, todas as entidades na preparação de uma solução duradoura que respeite as populações e as legítimas aspirações dos profissionais”, defendeu.

O porta-voz da CUSMT adiantou ainda à Lusa que a comissão irá “enviar um documento à Assembleia da República para que, em sede do Orçamento do Estado para 2023, sejam adotadas medidas de discriminação positiva nas dotações de mais recursos financeiros, na agilização dos processos administrativos para a contratação de trabalhadores e organização e articulação entre todas as áreas do Serviço Nacional de Saúde”.

“Não basta dotar os orçamentos de recursos financeiros, sendo também indispensável agilizar os projetos, cuidar da sua implementação no ano da sua dotação, fazendo uma gestão eficiente e eficaz em cada unidade de saúde”, salientou.

O CHMT agrega as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, em regime de complementaridade de valências.

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