Foto: Município de Abrantes

Várias zonas ribeirinhas do concelho de Abrantes foram evacuadas devido à subida do caudal do Tejo, uma situação que se regista em todo o Médio Tejo, onde autoridades e autarquias lutam contra o tempo para proteger pessoas e bens.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos, disse que foram evacuadas as freguesias do Rossio ao Sul do Tejo, Cabrito, Arrifana, Rio de Moinhos e Alvega.

“Estamos a tentar proteger pessoas, casas e instituições de solidariedade social, sobretudo as que trabalham com idosos, num esforço contínuo. A situação é crítica porque os caudais duplicaram em poucas horas e cada minuto conta nesta operação de proteção às populações”, afirmou Valamatos.

Hoje de manhã foi declarado alerta vermelho para a bacia do Tejo devido à subida abrupta dos caudais, que em Abrantes passaram de cerca de 3.500 m³/s registados na quarta-feira para 8.000 m³/s hoje, ultrapassando todas as previsões dos autarcas dos municípios ribeirinhos do Médio Tejo: Mação, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.

“Durante a madrugada, os níveis duplicaram. Por isso, acionámos o alerta vermelho, o nível máximo da escala, para mobilizar todas as estruturas de proteção civil e responder de imediato”, explicou Valamatos, que preside também à Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém.

Cerca das 18:00, o rio continuava a subir, afetando outras localidades ribeirinhas do Médio Tejo, com terrenos saturados e ribeiras transbordadas, obrigando a vigilância constante e evacuações preventivas.

“Pelo menos até às 17:30/18:00, as águas continuavam a subir. É fundamental que não haja aumento adicional dos caudais. Esta é uma situação sem precedentes nos últimos 30 anos e exige atenção máxima de todos para proteger pessoas e bens”, reforçou Valamatos.

Nas freguesias de Envendos e Ortiga, no concelho de Mação, os caudais elevados provocaram essencialmente estragos materiais. Parte dos passadiços de Ortiga, ainda em reconstrução, desabaram e foram arrastados pelas águas, assim com a Barca da Amieira, que liga as margens de Nisa e Envendos.

“O caudal começou a subir muito e afeta toda a zona da barragem e a estação de Ortiga. Apesar de a população estar habituada, os prejuízos são enormes. Ainda temos de lidar com impactos da tempestade Kristin, com casas danificadas e cortes de eletricidade e água”, explicou o presidente José Fernando Martins.

Na vila ribeirinha de Constância, a jusante de Mação e Abrantes, a subida do rio aponta para que se atinja ao final da tarde os 9.000 m³/s em Almourol, quase o triplo dos caudais registados na quarta-feira, com a água a chegar à Praça Alexandre Herculano, no centro histórico, e a inundar estabelecimentos comerciais e habitações.

“Retirámos pessoas e bens, e continuamos a acompanhar o caudal, que deverá atingir o pico perto das 19:00. A Barragem de Castelo de Bode tem ajudado a conter os efeitos, mas, se não fosse a sua gestão, a situação seria ainda mais grave. É uma cheia histórica”, declarou Sérgio Oliveira, presidente da Câmara.

A zona ribeirinha de Constância estava praticamente toda inundada a meio da tarde, incluindo parques de merendas, anfiteatro e parque infantil, com serviços municipais, Exército e bombeiros a atuar na prevenção e evacuação.

Seguido rio abaixo, em Vila nova da Barquinha, o Barquinha Parque encontra-se totalmente inundado e parte da Rua do Tejo já foi afetada. A população residente nas zonas baixas foi alertada para proteger bens e retirar veículos.

“A perspetiva é que o caudal suba rapidamente para cerca de 10.000 m³/s nas próximas horas. Estamos a avisar a população para proteger bens e retirar viaturas. Temos alojamento de emergência e meios de ação social preparados caso seja necessário evacuar”, explicou o presidente da Câmara, Manuel Mourato.

Os níveis de caudais que já chegaram ao Médio Tejo vão chegar nas próximas horas aos municípios da Lezíria do Tejo, numa situação preocupante para Manuel Jorge Valamatos, que reforçou o alerta ao governo e às autoridades que gerem as barragens.

“Precisamos urgentemente que não sejam libertados mais caudais. Se os níveis continuarem a subir, entramos numa situação de rutura total. É fundamental que as instituições e o governo, em coordenação com Espanha, controlem as descargas para que os níveis do Tejo parem de subir e possamos proteger as populações”, declarou.

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