O movimento proTEJO contestou hoje a construção de um novo açude no Tejo, na zona de Constância/Barquinha, tendo juntado 120 pessoas num apelo em defesa de um rio “vivo e livre”, com dinâmica fluvial e sem novas barreiras.

“O mote desta edição é ‘não ao novo açude no rio Tejo, entre Constância e Praia do Ribatejo’ (Barquinha), porque não devem ser construídos mais açudes e barragens na bacia do Tejo. As que existem já são suficientes e as que forem construídas adicionalmente não trarão valor acrescentado e vão causar impactos ecológicos profundos aos ecossistemas”, disse hoje à Lusa o porta-voz do proTejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém.

Segundo Paulo Constantino, os impactos da eventual construção do novo açude, no âmbito da estratégia nacional “Água que nos une”, far-se-iam sentir nas dinâmicas económicas, turísticas, culturais e patrimoniais nos concelhos de Constância e da Barquinha, a par das questões ambientais e de biodiversidade, “afectando as espécies piscícolas, nomeadamente as migratórias, mas também a todo o resto do ecossistema, do qual os seres humanos também dependem para sobreviver”.

O “12º Vogar contra a indiferença”, que juntou cidadãos, autarcas dos dois concelhos, ambientalistas, empresários, políticos e dirigentes associativos numa descida em canoa, teve início na praia fluvial de Constância, onde foi lida a “Carta contra a indiferença”, e continuou com um percurso fluvial até ao Castelo de Almourol, em Vila Nova da Barquinha, que durou pouco mais de uma hora, em “comunhão com o rio” e num passeio de “fluviofelicidade”, levando os participantes a “desfrutar da natureza e da paisagem natural e cultural”.

A “Carta Contra a Indiferença”, hoje lida na demonstração ibérica “Por Um Tejo Livre”, exige a “rejeição do novo açude no Tejo em Constância/Praia do Ribatejo, em defesa de um rio vivo e livre com dinâmica fluvial sem novos açudes e barragens”, bem como a necessidade de uma “gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo com base no princípio da unidade da sua gestão”.

O documento reivindica ainda o “cumprimento da Directiva Quadro da Água”, no sentido de “alcançar o bom estado ecológico dos rios e a valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas”.

“Esta Carta pretende ser um testemunho de que a conservação ecológica dos rios Zêzere e Tejo, bem como dos restantes rios da bacia do Tejo, é um tributo que os cidadãos devem oferecer para a sustentabilidade da vida e para a conservação do seu património, sendo hoje urgente defender rios vivos, sem poluição, e livres, com dinâmica fluvial”, declarou Constantino.

Só assim, defendeu, será possível “garantir a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas, a conservação dos ecossistemas, dos habitats e da biodiversidade, e o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos”, tendo reiterado a “rejeição dos projectos de construção de novos açudes e barragens” e a “exigência de uma regulamentação adequada para as barreiras que já existem”, a par de um “regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas” e uma “conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações”.

A organização pretendeu ainda “consciencializar” as populações ribeirinhas “para o aumento das pressões negativas que resultam da sobre-exploração da água do Tejo”: as que decorrem dos projectos de novos açudes e barragens e as que já existem, “face à gestão economicista das barragens hidroeléctricas da Estremadura espanhola, aos transvases de água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha, e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear”.

Segundo o proTEJO, o objectivo do “Vogar contra a indiferença” visou “realçar a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio e das actividades de educação ambiental e turismo de natureza, cultural e ambiental”.

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