Foto de arquivo

Cerca de 1800 artistas e profissionais da tauromaquia dirigiram uma “carta aberta” à ministra da Cultura para manifestar as preocupações do sector e exigir medidas de apoio, na sequência da pandemia de covid-19.

A carta é assinada pela Associação Nacional de Toureiros (ANT), Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET) e pela Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF) e pretende pedir uma reunião e “partilhar” com a ministra Graça Fonseca “parte do ‘ADN’ da cultura portuguesa, a actividade tauromáquica”.

Os subscritores da carta, que defendem a descida do IVA para 6% nos espectáculos tauromáquicos, recordam que fazem parte de uma das áreas “mais originais e autênticas” da cultura portuguesa, sendo uma das poucas que “não têm” programas de apoio.

“Incorporamos quase 100% de mão de obra nacional, exportamos cultura portuguesa, contribuindo para a divulgação da nossa cultura e para o equilíbrio da balança comercial. Fomentamos o turismo e temos de um impacto económico directo e indirecto de muitos milhões de euros, criando emprego e riqueza, muitas vezes em regiões deprimidas do interior”, acrescentam.

Sublinhando que o país está a viver “tempos críticos”, as associações taurinas alertam para o “papel crucial” que a cultura vai ter quando o estado de emergência terminar.

“É tempo de ‘pegar o touro pelos cornos’, ir à luta e, muito importante, não deixar de forma nenhuma que o cancelamento de actividades culturais seja uma tragédia para Portugal”, lê-se na carta.

As três associações tauromáquicas lembram que representam também a economia e o emprego, com uma implementação territorial “diversa”, entre “norte e sul, urbano e interior”, sendo esta uma actividade “muito particular”.

Por força da sazonalidade da actividade taurina, segundo as associações, o sector é afectado pela paragem total dos espectáculos, sendo “impossível recuperar desses prejuízos”.

“Este infortúnio retira-nos meios para obter receitas e suportar custos com um valor elevado, como a alimentação e manutenção de cavalos, a preparação técnica e artística e as equipas de tratadores e veterinários, entre muitos outros”, referem.

Segundo os subscritores da carta, “a preparação da produção dos espectáculos desta temporada já foi iniciada há largos meses e a sua não realização acarreta avultados prejuízos em investimentos perdidos e reduções drásticas de receitas”.

As associações taurinas recordam ainda que cada corrida de touros precisa de “cerca de 170 intervenientes directos”, sendo “urgente” que se tomem medidas de apoio nesta fase, que tenham em conta as particularidades do sector.

“É necessário preparar a fase de retoma dos espectáculos com medidas adaptadas, por exemplo corrigindo com urgência o IVA dos espectáculos tauromáquicos para 6%, que é agora uma medida incontornável de apoio social à cultura e aos artistas”, defendem.

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