Há 49 anos, em 1972, e por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, naquela que foi a primeira conferência mundial sobre meio ambiente humano, realizada em Estocolmo, foi aprovada a criação do Dia Mundial do Meio Ambiente, a ser comemorado, cada ano, a 5 de junho, com o objetivo de despertar a consciência internacional quanto à gravidade dos problemas ambientais que ganhavam, cada vez mais, destaque, e para a importância da preservação dos recursos naturais que, até então, eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

A proteção ambiental tem sido, nos últimos anos, muito assente no conceito de desenvolvimento sustentável, que pretende coadunar o ambiente com o desenvolvimento económico, cultural e social, essenciais para qualquer sociedade, relação esta por vezes bastante difícil, seja por falta de visão dos decisores políticos, seja por meros extremismos que teimam em apenas ver um lado do problema.
A água constitui-se, neste contexto, como um fator essencial no desenvolvimento sustentável. Porque é um bem de primeira necessidade – na indústria, na agricultura e no consumo humano direto – e porque é escassa. Apesar do nosso planeta ser constituído maioritariamente por água, apenas uma pequena proporção é água doce e disponível (apenas 1% da água do planeta é doce e em estado líquido).

É, pois, muito importante dar uma especial atenção a este bem, preservando-o da poluição, promovendo a sua reutilização e evitando o seu desperdício. Cada um de nós deve assumir uma atitude de responsabilidade ambiental, com a inerente necessidade de mudanças nos nossos hábitos de vida, poupando água sempre que possível, com gestos simples, ou mais onerosos.

É, sobretudo, necessário capacitar os agentes económicos e as famílias para um uso mais eficiente da água.

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Os desafios são cada vez maiores, por exemplo, na agricultura, em que a água vai escasseando, não só em regiões de maior seca, mas também noutras regiões, em que o problema da salinização da água dos rios está a pôr em risco este setor produtivo, de elevada importância na nossa economia e na nossa subsistência. E aqui é necessária a intervenção firme do Governo e das Instituições Europeias, apoiando os nossos agricultores no estudo, implementação e modernização de infraestruturas de retenção, na modernização das suas explorações e também no apoio à aquisição de equipamentos mais eficientes, sobretudo para as culturas de regadio.

Também para o cidadão são necessárias políticas imediatas de formação para que todos percebam a importância de valorizar este recurso, promover o seu uso eficiente, quando ainda temos valores de desperdício inaceitáveis no setor urbano, de cerca de 20%.

Tem de se promover a instalação de equipamentos de aproveitamento de águas, de reutilização, e de maior eficiência na sua utilização. A par com o que já é muito falado e até aplicado no apoio residencial a equipamentos energeticamente eficientes, é urgente financiar equipamentos destinados à eficiência na gestão da água nas habitações, assumindo, também aqui, que o consumidor tem de ser alertado para a necessidade de combater o desperdício de água, e que o apoio estatal é fundamental para a renovação das habitações ao nível das canalizações, sistemas de aquecimento de águas e sistemas de reutilização, coordenado com uma política fiscal que incentive as alterações.

Não é com leis cegas nem com taxas que não diferenciam os cidadãos e os seus comportamentos que conseguiremos alcançar a tão desejada sustentabilidade ambiental e a proteção dos nossos recursos hídricos. E não é, também, com extremismos exacerbados que conseguiremos educar e sensibilizar a população para os desafios globais que se impõem.

A proteção ambiental é, pois, um dos maiores desafios da sociedade moderna, sendo requerido a cada cidadão a preservação e proteção do ambiente com o propósito de garantir um futuro sustentável para as gerações vindouras, tendo o maior exemplo de “vir de cima” apoiando uma mudança de comportamentos, assente em tecnologia e sensibilização.

Ramiro Matos – Presidente do Conselho de Administração da Águas de Santarém

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