A aldeia da roupa suja na Estrada de Benfica

Havia nos anos 60 do século XX uma carpintaria em Vila Franca de Xira com um cartaz onde se lia: «Nesta oficina é proibido discutir política, futebol e religião» Era a maneira de impor uma norma que evitava discussões sem fim à vista.

Clientes, oficiais e aprendizes ficavam assim a conhecer as regras do jogo. Ao lado outra placa referia em advertência: «É proibido fumar e foguear».

Um amigo, jornalista e escritor, colocou na Internet uma ideia que não tem o meu acordo. Segundo ele é a situação geral do país que determina a forte abstenção nas eleições – autárquicas, legislativas, europeia e presidenciais. Para mim é a abstenção que determina o estado a que isto chegou.

Esse meu amigo considera que a remodelação governamental de Outubro de 2018 é uma feira de vaidades. Para mim é o resultado de uma campanha sórdida contra o Governo com duas palavras: Pedrógão e Tancos.

No primeiro caso até apareceu uma «caça mortos» que usava abreviaturas e nomes repetidos para engordar a lista, um ex- primeiro ministro a falar em «suicídios» e jornalistas a noticiarem a queda de uma avião que não caiu, de facto. No segundo caso (Tancos) um jornal de Espanha referia uma lista completa de «armas» que eram afinal munições e uma jornalista espanhola afirmou sem perder a vergonha que no seu país «é vulgar as notícias serem assinadas com pseudónimo».

Na Estrada de Benfica há um quiosque de jornais frente à Igreja Paroquial, quiosque esse onde um estendal de periódicos é lido com avidez pelos fiéis da missa em frente. Alguns compram jornais que são feitos de papel e água suja das sarjetas. Como a Estrada de Benfica foi em tempos uma ribeira com lavadeiras, pedras e sabão, eu chamo-lhe a aldeia da roupa suja. A aldeia da roupa branca é um filme de Chianca de Garcia com Beatriz Costa no principal papel.

José do Carmo Francisco

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