Está em fase adiantada de elaboração a candidatura da arte do bunho em Santarém a Património Cultural Imaterial (PCI), numa iniciativa liderada pelo Dr. Vítor Lima e que está a conquistar apoios formais e informais tendo em vista a sua posterior apresentação ao Município de Santarém, que poderá, se assim o entender, dar continuidade a este projecto de afirmação social e cultural do concelho de Santarém.

A arte do bunho em Santarém, com especial enfoque na produção de mobiliário e na sua intrínseca ligação ao ecossistema ribeirinho, constitui um património cultural imaterial de valor inestimável, cuja salvaguarda se afigura premente.

Este saber fazer ancestral, transmitido ao longo de gerações, materializa-se em técnicas e conhecimentos específicos que definem uma identidade cultural singular na região de Santarém.

Propõe-se para a presente candidatura a denominação “A Arte do Bunho em Santarém: Saber fazer tradicional de mobiliário e a sua relação com o ecossistema ribeirinho”, a qual procura abranger tanto a dimensão artesanal e técnica da produção de artefactos, nomeadamente o mobiliário, como a sua profunda conexão
com o ambiente natural de onde provém a matéria-prima, o bunho (Typha spp.), e os conhecimentos ecológicos associados.

A prática da arte do bunho manifesta-se predominantemente no concelho de Santarém, uma região historicamente marcada pela presença do rio Tejo e seus afluentes, que propiciam o crescimento abundante do bunho.

Embora vestígios desta arte possam ser encontrados noutras zonas ribeirinhas de Portugal, é em Santarém que subsistem os últimos mestres dedicados especificamente à criação de mobiliário em bunho, conferindo a esta localidade um papel central na preservação deste património.

O âmbito sóciocultural transcende a mera produção de objectos, envolvendo conhecimentos sobre o ciclo da planta, as épocas e técnicas de colheita sustentável,
e a sua transformação em peças utilitárias e decorativas que outrora foram comuns no quotidiano das populações locais.

As peças resultantes distinguem-se pela sua robustez, conforto e estética natural, reflectindo uma harmonia entre funcionalidade e respeito pelo material. Esta expressão do nosso artesanato caracteriza-se pela utilização integral da planta, desde a colheita e secagem até ao complexo entrelaçar das fibras, frequentemente realizado com ferramentas simples e ancestrais como a navalha e a agulha de bunheiro.

Historicamente, esta actividade esteve associada aos ciclos agrícolas, sendo praticada pelos camponeses nos períodos de menor actividade no campo, e chegou a ter um núcleo importante de oficinas na região, nomeadamente na aldeia do Secorio.

Actualmente, a sua importância cultural reside não só na singularidade das técnicas e dos produtos, mas também na memória viva de um modo de vida e de uma relação sustentável com o meio ambiente.

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