As moscas seduzem os moscos e zum, zum, zum… zum, zum, zum!

Coisa rápida. Do tipo “é tão bom, não foi?”.

Os moscos andam sempre muito atarefados e não podem perder tempo com o zum, zum, zum. Têm mais que fazer.

As moscas, entregues às lidas caseiras, nasceram para procriar. Contentam-se com o destino que a natureza lhes deu. Sempre que zumbam ficam grávidas, para que a espécie não acabe. Algum tempo depois nascem mosquinhas que terão a mesma missão: dar à luz. E fazem isto para que não lhes aconteça como os pirilampos que deixaram de zumbar e apagaram-se. Já não há pirilampos!

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Há quem diga que foi devido às mondas químicas, mas tudo indica que foram os pirilampos que perderam a vontade de pirilampar.

É também notório o caso das elefantas. Com um elefante às costas, e só podendo mexer os olhos, baixaram muito a sua capacidade reprodutiva, o que deixou os machos de trombas.

As espécies do mundo marinho não são excepção. Por exemplo, as tubaronas acham que os tubarões perderam o fôlego debaixo de água. Fora de água nem respirar conseguem. Muito menos dar à barbatana!

Devido à poluição, os monstros marinhos fêmeas deixaram de ser monstruados, os cachalotes pararam de cachalotar, e até as raias já não fazem mais arraiais.

Nós os humanos continuamos a festejar a vida, sem nos apercebermos do fim das espécies.

Estudos recentes indicam que também os humanos estão a deixar de dar à luz, caminhando para a escuridão… como os pirilampos que já não pirilampam nada. E isso é grave!

In: ‘Correio do Ribatejo’ de 23 de Novembro de 2018

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