Dia grande para Santarém não podia deixar de ser aquele em que o seu mais representativo complexo desportivo se afirmou tão gloriosamente, enobrecendo não apenas a feição atlética a que pertence como também o próprio nome da capital do Ribatejo.

Não poderia, por conseguinte, esta cidade, de maneira nenhuma ficar indiferente ao êxito triunfal dos seus campeões, à promoção dos seus atletas, ao premio do esforço que assinalou a sua vitória e fez com que eles tivessem jus ao meritório galardão, consagrando assim o título que, em boa hora lhe foi outorgado.

E não se diga que foi apenas obra dum acaso, fruto de mero bambúrrio, uma casualidade fortuita, circunstância ocasional, maré de sorte ou coisa parecida.

A esperança num futuro ascendente, a obstinação em melhores dias, a luta pelo sucesso, enfim, deu-lhes o que não podia deixar de resultar da sua reparação técnica, do seu potencial reflexivo.

Se para eles vai, portanto, a culminância vitoriosa, não pode deixar de se impor, a todos nós, o reconhecimento que lhes é devido pelo bom nome da nossa terra.

De resto, não podíamos deixar,  – e há muito o acentuarmos, – de chegar à conclusão de que esta União Desportiva que de Santarém ostenta as cores e as armas, está longe de ser apenas um clube.

Ele é mais do que isso, começando e acabando por se tornar um símbolo. Um símbolo de tudo aquilo que nos não deixa dividir, de tudo aquilo que nos não deixa separar.

Ele traduz bem aquilo que se chama o amor à nossa Terra.

É que acima de tudo o mais, acima das nossas ideologias, acima das nossas desavenças, acima das nossas simpatias, acima das nossas questiúnculas, está aquilo que mais e melhor nos faz unir, aquilo que supera partidarismos, aquilo que desfaz desagregações, aquilo que levantou sempre mais alto o nome de Santarém, que melhor se impos ao amor dos naturais e ao respeito dos estranhos, aquilo que nos faz lutar por um destino comum, ou seja, a compreensão da força moral que dimana desse apoio mútuo.

Acrescentemos ainda que não está apenas em causa o mérito duma participação, duma simples participação no xadrez das competições desportivas.

Como atrás dissemos, o significado deste facto, na aparente singeleza dos encontros futebolísticos, transcende em muito o processo analítico da fibra muscular, da tática especifica, da estratégia conducente à superioridade duma falange clubista.

Trata-se duma afirmação de presença cultural, cum valor sintético, duma determinação social, duma superação regionalista.

Mais do que um lugar no podium, é um podium que se torna mister construir – para lhes dar lugar.

(In: Correio do Ribatejo de 05 de Julho de 1985)

Pode consultar estas e outras notícias no Arquivo do Correio do Ribatejo em https://arquivo.correiodoribatejo.pt/

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