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O abastecimento de água às localidades de Cem Soldos e Porto Mendo, em Tomar, foi restabelecido, mas o problema estrutural na rede mantém-se e exige um investimento superior a 17 milhões de euros (ME), disse hoje a Tejo Ambiente.

“Enquanto não houver uma fonte de financiamento para substituir integralmente a rede, continuará a existir o risco de novas obstruções, apesar de o serviço já ter sido normalizado nos troços críticos”, disse à Lusa o diretor-geral da empresa, José Santos.

O problema no abastecimento àquelas duas localidades teve início no dia 07 de Janeiro, causado por acumulação de calcário nas condutas, e afetou durante uma semana o subsistema de abastecimento de água da Mendacha, em Tomar, embora a interrupção não tenha sido sempre total.

Em termos globais, cerca de 5.300 alojamentos domésticos foram afetados, indicou à Lusa o gestor da Tejo Ambiente, tendo acrescentado que, para restabelecer o serviço nos troços mais críticos, foram desobstruídos aproximadamente 2.000 metros de condutas com recurso a um camião de limpeza.

Segundo a Tejo Ambiente, a situação, que “não é nova e tem vindo a repetir-se com maior frequência na última década”, resulta da incrustação calcária ao longo de 253 quilómetros da rede, consequência da qualidade da água captada durante mais de 60 anos em aquíferos rochosos calcários.

O diretor-geral explicou que a solução definitiva passa pela substituição integral da rede de águas, um projeto estudado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a pedido da Tejo Ambiente, com prazo de execução estimado entre quatro e cinco anos e custo superior a 17 milhões de euros.

A empresa salientou que, desde que assumiu a gestão deste subsistema em 2020, tem procurado “soluções e diálogo com autoridades e fornecedores de água para garantir a estabilidade” do serviço.

“A Tejo Ambiente, assim que assumiu a responsabilidade da gestão deste subsistema, delegada pelo município de Tomar em 2020, reuniu várias vezes com o fornecedor de água em Alta e com três ministros do Ambiente, dos últimos três Governos da República, na tentativa de se apurarem, e assumirem, responsabilidades pelo facto”, declarou.

O problema, “por agora, está resolvido”, no troço identificado, tendo a Tejo Ambiente alertado que as obstruções nas condutas são algo que “pode voltar a acontecer”, uma vez que “o problema é comum a toda aquela rede” e “dado o estado de incrustação” calcária.

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