A Câmara Municipal de Abrantes aprovou hoje o novo Plano Diretor Municipal (PDM), um trabalho iniciado há mais de 20 anos que prevê para o território um aumento superior a 50% na área de construção.

“Este é um documento importantíssimo de regulação de todo o desenvolvimento do nosso concelho e obviamente que estamos hoje aqui, depois de 20 anos, a aprovar um documento absolutamente essencial para a gestão do nosso território”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Abrantes, no distrito de Santarém.

Manuel Jorge Valamatos (PS) falava depois da aprovação da revisão do PDM, por unanimidade, em reunião de executivo.

O autarca disse que o documento é “muito contemporâneo”, mas salientou que “está condicionado com alguns planos e regulamentos” de ordenamento, de âmbito nacional, que quer reverter.

“É o exemplo do plano de ordenamento da Albufeira do Castelo de Bode e a questão do plano de gestão de riscos de inundação [no rio Tejo], ou melhor, a Cota 35, documentos generalistas nacionais que têm a sua especificidade, mas que nos condicionam”, declarou.

“Nós achamos que conseguimos hoje aqui aprovar um plano contemporâneo, um plano para os dias de hoje, para o nosso desenvolvimento coletivo, que traz vantagens para os cidadãos, para as empresas, para o cidadão comum na construção das suas casas, e queremos continuar a lutar para que planos como esse da Cota 35, e outros que nos condicionam, sejam alterados”, afirmou.

Tendo feito notar que, agora, o PDM seria apresentado à Assembleia Municipal “e estaria aprovado”, o autarca deu conta que “isso só não acontece porque existem questões que o município entende “de uma maneira e a Agência Portuguesa do Ambiente entende de outra”.

Segundo explicou à Lusa o vice-presidente do município de Abrantes, João Gomes, a Câmara Municipal “propôs várias alterações aos limites dos aglomerados inseridos na área de intervenção do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode, bem como a criação de novos aglomerados não considerados atualmente, sendo que a Agência Portuguesa de Ambiente (APA) concordou com algumas das alterações propostas, discordando de outras, não sendo assim possível a concertação total com a APA”.

“Nós quisemos um plano sobretudo que proporcione capacidade construtiva e a capacidade de ocupação máxima vamos aumentá-la significativamente”, indicou.

Admitiu ainda que o novo PDM “não é o plano ideal”, tendo em conta o “parecer negativo” da APA relativamente às freguesias da zona norte do concelho pelas restrições que emanam do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode.

O autarca já tinha dado conta à Lusa que este “é um processo complexo, moroso e trabalhoso, com muita legislação, planos e programas envolvidos”, tendo destacado o aumento da área de construção num “modelo de organização espacial que assume um papel determinante em matérias como a localização e distribuição de atividades industriais, turísticas, comerciais e de serviços, importantes na fixação de pessoas e na criação de postos de trabalho” no concelho.

A área de construção num concelho com 714 km2 é a principal alteração no documento.

Depois da aprovação de hoje em reunião de Câmara e, posteriormente, em sede de Assembleia Municipal, o documento seguirá para aprovação final em Conselho de Ministros, entrando em vigor depois da publicação em Diário da República.

O PDM é um documento obrigatório em cada município do país, estabelecendo a estratégia de desenvolvimento territorial, a regulação do uso dos solos e a gestão de infraestruturas nos concelhos.

Leia também...

Estrada da estação ferroviária de Santarém terá sentido único e monitorização do trânsito

O executivo municipal de Santarém vai implementar, no início de Dezembro, uma alteração à circulação rodoviária junto à Estação Ferroviária, criando um sentido único…

Câmara de Santarém quer criar subfundo para reabilitar antigo Bairro Militar

A Câmara Municipal de Santarém vai assinar na próxima semana um protocolo com a Fundiestamo para a criação de um subfundo com os quatro…

Águas de Santarém distinguida como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal 2023

A Revista Exame divulgou as 50 Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal em 2023, cuja iniciativa premeia, anualmente, as empresas que promovem as melhores…

Programa de Aceleração de Negócios da NERSANT iniciado em Torres Novas

O Programa de Aceleração de Negócios da NERSANT, a decorrer na sede da associação, em Torres Novas, conta com uma série de workshops de…