A Câmara de Abrantes aprovou, por unanimidade, um pedido de informação prévia (PIP) para instalação de um segundo centro de dados no concelho, num projeto da Hyperion Renewables Services atraído pela capacidade de ligação elétrica da Central do Pego.
“Estamos a falar de outro centro de dados, desta vez da Hyperion”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, ao indicar que o executivo aprovou “essa intenção de construção ali de um grande edifício e de um grande investimento”, embora não esteja em causa a aprovação do projeto propriamente dito, “mas apenas” a viabilidade urbanística da instalação.
Segundo o autarca, o projeto prevê a instalação de um conjunto de edifícios destinados a um centro de dados junto à rotunda de Alvega, numa zona próxima do ponto de injeção de energia da antiga central a carvão do Pego, infraestrutura que considerou “estratégica” para captar investimentos de grande consumo energético.
“O ponto de injeção promove e incentiva todos estes investimentos”, declarou, defendendo que Abrantes “é seguramente um território de futuro” para projetos ligados à energia e aos centros de dados.
O ponto foi aprovado em reunião do executivo municipal realizada na terça-feira, no âmbito de um pedido de informação prévia sobre a possibilidade de instalação de “um conjunto de edifícios de serviços”, destinados “em concreto, a um centro de dados, com potência de ligação de 200 MVA”.
Na reunião, Valamatos sublinhou que o processo diz respeito “apenas” a uma “aprovação técnica do urbanismo” e não à aprovação do investimento em si.
“Não estamos aqui a aprovar esse investimento, estamos apenas a dizer que, do ponto de vista urbanístico, é possível aquele espaço servir para a sua implementação”, declarou.
O presidente da Câmara indicou ainda que o projeto já detém estatuto PIN – Projeto de Interesse Nacional – e revelou que a área prevista para construção ronda os 15 hectares.
Também na reunião, o vice-presidente da Câmara, João Gomes, explicou que o pedido foi submetido a parecer de diversas entidades, entre as quais APA, CCDR-LVT, REN, E-Redes, DGEG, ICNF, ANACOM, Infraestruturas de Portugal e Proteção Civil, tendo recolhido pareceres favoráveis condicionados.
Segundo João Gomes, a Agência Portuguesa do Ambiente condicionou o processo à entrega de um estudo de impacte ambiental na fase de licenciamento.
O autarca acrescentou que o município solicitou ainda um parecer jurídico adicional à CCDR-LVT para confirmar o enquadramento urbanístico da operação, tendo em conta a proximidade da infraestrutura energética do Pego.
De acordo com João Gomes, a parcela em causa tem “mais de um milhão de metros quadrados”, prevendo o projeto uma área de implantação de cerca de 151 mil metros quadrados e uma área de construção próxima dos 287 mil metros quadrados.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Hyperion II Renewables Services considerou “prematuro” avançar com detalhes do projeto, indicando apenas que se encontra “em fase de licenciamento – ambiental, municipal, entre outros”.
A empresa confirmou, contudo, tratar-se de “um projeto de ‘data center’ com 200 MVA de potência de ligação a conectar-se ao futuro Posto de Corte de Abrantes, no Pego”, apontando para uma entrada em operação em 2029.
Este é o segundo projeto de centro de dados anunciado para o concelho de Abrantes, depois do investimento da EDC ONE Lda, previsto para os terrenos da antiga RPP Solar, junto à Central do Pego.
Em setembro de 2025, a Câmara de Abrantes aprovou a atribuição de isenções fiscais e taxas municipais no valor de 16,2 milhões de euros para esse projeto, associado a um investimento anunciado de sete mil milhões de euros.
O presidente da Câmara defendeu ainda que os investimentos ligados aos centros de dados podem ajudar a compensar o encerramento da central a carvão do Pego.
“As mais-valias para o território são a criação de muitas centenas de postos de trabalho, naturalmente a riqueza que estas empresas constituem para o território e os benefícios fiscais e contribuições que deixam no concelho e na região”, concluiu.
