Foto ilustrativa
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A campanha da azeitona em Abrantes mantém este ano a qualidade elevada, mas tem uma quebra estimada de 10% a 15%, menor que a descida de cerca de 20% prevista globalmente a nível nacional, segundo responsáveis do setor.

No lagar da SAOV – Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, que acompanha mais de mil clientes da região de Abrantes, no distrito de Santarém, a campanha arrancou em 23 de setembro, com o fruto que está a chegar a apresentar “bom rendimento e ausência de pragas e doenças”, disse à agência Lusa Rita Marques, engenheira de qualidade da empresa.

“Temos um cenário de menor quantidade de azeitona, mas, de uma maneira geral, o fruto está muito são e com bom rendimento, o que vai permitir compensar parte da quebra e manter um azeite de qualidade superior”, explicou.

A responsável atribui a quebra de 10% a 15% sobretudo a três fatores: “menor carga produtiva”, resultante do ciclo natural de alternância do olival tradicional, o “impacto residual da seca prolongada na altura do crescimento do fruto” e a “redução de mão de obra em pequenas explorações” do olival tradicional.

“Apesar disso, comparando com outros anos de menor produção, este é um ano equilibrado. O fruto está são e o azeite está a sair aromático e frutado”, resumiu.

A nível nacional, a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, que representa cerca de 70% dos olivicultores e lagares do país, confirmou hoje à Lusa uma quebra média expectável “na ordem dos 20%”, segundo os dados atualizados esta semana.

A diretora executiva da associação, Susana Sassetti, sublinhou que o comportamento da campanha “varia muito por regiões”, mas a tendência dominante é de redução da produção, sobretudo no olival tradicional e de sequeiro.

“A seca do último ano, a irregularidade das chuvas e a alternância produtiva explicam grande parte da quebra. Em algumas zonas há um atraso na maturação e um fruto mais pequeno”, afirmou.

Segundo a responsável, a produção nacional “não deverá repetir os níveis elevados” das melhores campanhas recentes, mas a qualidade “pode vir a surpreender pela positiva”, com boas perspetivas sobretudo nos lagares que estão a receber fruto mais verde.

O Norte do Ribatejo, onde predomina o olival tradicional, tem sido “uma das regiões mais afetadas” pelos constrangimentos climáticos, mas Abrantes está “entre as zonas onde a quebra é mais moderada”, confirmam os dados da Olivum.

Rita Marques reconheceu que muitos produtores têm enfrentado “dificuldades acrescidas com mão-de-obra, custos energéticos e o adiamento das chuvadas”, mas destacou que a SAOV tem conseguido “manter estabilidade” devido ao acompanhamento contínuo aos olivicultores.

“Trabalhamos com os produtores todo o ano. Isso faz diferença na entrada do fruto. A nossa equipa técnica acompanha podas, tratamentos a pragas, o que se reflete na qualidade final do azeite”, acrescentou.

Em Abrantes, o lagar está a operar “a todo o vapor” e espera processar “um volume ligeiramente abaixo” do de 2024, mantendo a aposta na extração a frio e na rapidez entre a chegada do fruto e a moagem.

“O segredo é receber a azeitona o mais fresca possível, moê-la de imediato e controlar temperatura e oxigénio. A região tem tradição e bons produtores, e isso sente-se no azeite que sai daqui”, sublinhou a engenheira da SAOV.

A nível nacional, a Olivum refere que a campanha está a decorrer “sem grandes constrangimentos” e que a indústria mantém “capacidade instalada e resposta operacional”, apesar das descidas na produção.

Os preços ao produtor deverão depender da evolução da campanha em Espanha, país que também enfrenta a probabilidade de quebra significativa este ano, em linha com Portugal, mas a associação prevê que a disponibilidade no mercado “permaneça controlada”.

Com uma quebra de 10% a 15%, Abrantes está, por agora, “acima da média nacional”, que se aproxima dos 20%, sendo um dos pontos positivos do Ribatejo Norte.

“A qualidade do fruto compensa a menor quantidade. No final, teremos um azeite equilibrado, verde e aromático, muito dentro do perfil que caracteriza esta região”, concluiu Rita Marques.

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